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Deputados dos EUA desafiam Trump e exigem fim da guerra com Irã

Congresso amplia pressão sobre Donald Trump após impasse no conflito com o Irã e questiona continuidade da guerra sem autorização legislativa

Congresso dos Estados Unidos (Foto: Reuters)
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247 - A pressão política sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar o conflito com o Irã ganhou força no Congresso americano após uma votação considerada significativa na Câmara dos Representantes. A movimentação ocorreu em meio ao prolongamento da guerra iniciada em fevereiro e evidencia um crescente desconforto entre parlamentares com a condução da política externa da Casa Branca.

De acordo com informações divulgadas pela RFI, a mudança mais relevante ocorreu entre integrantes do Partido Republicano. Quatro deputados conservadores decidiram alterar seu posicionamento e apoiar uma iniciativa que busca limitar a continuidade do conflito, em um gesto visto como um desafio político ao governo Trump.

A mudança de postura está diretamente relacionada ao cenário eleitoral nos Estados Unidos. Com as eleições de meio de mandato marcadas para novembro, parlamentares republicanos moderados avaliam que o apoio irrestrito à estratégia da Casa Branca no Oriente Médio pode representar um risco crescente, sobretudo entre eleitores independentes, já que a guerra enfrenta resistência significativa na opinião pública americana.

Democratas comemoram recado ao governo

Integrantes democratas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara interpretaram a votação como uma mensagem clara enviada ao presidente dos Estados Unidos. Em nota, os parlamentares destacaram que a decisão representa uma manifestação da população contra a continuidade do conflito.

Os democratas afirmaram que a medida constitui uma "mensagem firme e inequívoca dirigida a Donald Trump pelos americanos". Eles também defenderam o encerramento imediato da operação militar.

Segundo os parlamentares, "Chegou o momento de encerrar essa guerra ilegal e profundamente impopular."

Disputa sobre prerrogativas do Congresso

Além das divergências em relação à guerra, a disputa envolve uma questão institucional relevante sobre os poderes do Congresso. Pela legislação americana, após 60 dias de conflito, o governo deve solicitar autorização legislativa para manter operações militares em andamento.

No entanto, segundo os críticos da Casa Branca, essa autorização não foi pedida. O governo Trump sustenta que o prazo não se aplica porque as hostilidades teriam sido interrompidas após o cessar-fogo anunciado em 8 de abril.

Essa justificativa voltou a ser apresentada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, durante audiência realizada na Câmara dos Representantes na quarta-feira. O argumento tem sido utilizado pela administração americana para defender que não houve necessidade de submeter a continuidade das ações ao crivo do Legislativo.

Senado também aumenta pressão

A ofensiva política contra a manutenção da guerra não se restringe à Câmara. O Senado já havia aprovado, em 19 de maio, uma proposta relacionada ao conflito com o Irã, ampliando a pressão sobre o governo federal.

A expectativa é que a tramitação da medida no Senado avance ainda mais nos próximos dias, consolidando um movimento crescente dentro do Congresso para restringir ou encerrar o envolvimento militar dos Estados Unidos no conflito.

A aprovação de duas iniciativas legislativas em um intervalo de apenas quinze dias é vista por analistas políticos como um avanço importante para os setores que defendem maior controle parlamentar sobre decisões de guerra e uma solução diplomática para a crise entre Washington e Teerã.