Direita ataca Maduro para que grandes corporações cheguem ao poder, declara legislador

Segundo o vice-presidente encarregado dos assuntos econômicos do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Jesús Faría, a direita ataca o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para restabelecer um sistema político liderado pelas grandes corporações

Direita ataca Maduro para que grandes corporações cheguem ao poder, declara legislador
Direita ataca Maduro para que grandes corporações cheguem ao poder, declara legislador (Foto: REUTERS / Marco Bello)

Sputnik Brasil - Segundo o vice-presidente encarregado dos assuntos econômicos do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Jesús Faría, a direita ataca o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para restabelecer um sistema político liderado pelas grandes corporações.

"A direita atenta contra um governo que os tirou do poder e tenciona, de qualquer maneira, restabelecer um sistema político onde aqueles que exercem o poder são as mesmas grandes corporações que no passado não somente obtiveram as rendas petrolíferas, mas também estabeleceram as regras para o funcionamento da economia em função de seus interesses", disse o legislador à Sputnik.

A Venezuela é um país importador de bens de consumo, e isso exige moeda estrangeira que, na maior parte, vem da indústria petrolífera, e nessa dependência do dólar, ressalta Faría, reside o "calcanhar de Aquiles" do governo.

Um grande controle cambial entrou em vigor no país latino-americano desde 2003, sendo todas as transações feitas pelo governo. Isso acabou aumentando o mercado de câmbios ilegal, que entre agosto e novembro atingiu 268%, segundo o último relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Pelo fato de a economia ser influenciada pelo preço da moeda norte-americana, "quando os preços sobem, o valor da moeda [local, o bolívar] se desvaloriza", segundo o analista. "Perante isso, temos a obrigação de parar o aumento dos preços para que o bolívar recupere a confiança e possa ser utilizado de maneira muito mais segura, como meio de pagamento."

O constituinte explicou que os mais afetados são os pequenos e médios comerciantes, enquanto "os agentes econômicos muito poderosos aproveitam essa situação para obter lucros gigantescos e, ao mesmo tempo, desestabilizar a economia".

Sob esse cenário, junto com as sanções dos EUA e seu "assédio financeiro", afirma Faria, o governo venezuelano conseguiu criar um instrumento para enfrentar o que chama de "guerra econômica".

"Pela primeira vez em quatro anos, temos uma plataforma sólida para poder enfrentar a guerra econômica e suas consequências, que é uma profunda crise em nossa economia, com impacto social devastador", acrescentou.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que a Venezuela entrou em hiperinflação no final de 2017, e estima-se que fechará 2018 com 1.370.000%. Essa inflação altíssima é um dos principais desafios que o governo enfrentará em 2019.
"Nosso grande desafio é que as políticas, como foram concebidas, se desenvolvam plenamente a partir do próximo ano, e que seja o primeiro ano de estabilização e o segundo de crescimento", afirmou.

O especialista salienta que não importa o quão eficiente seja o programa de Maduro para recuperação da economia, a estabilização financeira não ocorrerá automaticamente, pois há um conjunto de fatores que podem atrapalhar sua prosperidade.

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