Doente para ser julgado, mas lúcido para acusar

Chirac alegou falhas de memria em processo por empregos fictcios. No entanto, demonstrou vivacidade ao prestar queixas contra advogado em caso de repasse ilegal de verbas da frica

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Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris – Na semana passada, o ex-presidente da França, Jacques Chirac, foi dispensado de seu julgamento por questões de saúde. Acusado de desvio de fundos públicos e abuso de confiança, num caso conhecido como o dos “empregos fictícios”, quando era presidente da Câmara de Paris, ele sofreria de uma condição neurológica relacionada com a doença de Alzheimer que compromete a sua memória. Sua filha adotiva chegou a aparecer na televisão francesa chorando ao atestar que o primeiro ex-presidente da França a ser julgado na história da Vª República não a reconheceu.

Eis que alguns dias depois, em resposta as acusações de recebimento de US$ 20 milhões em dinheiro ilegal de líderes da África ocidental, ele parece ter recuperado a memória. Chirac prestou queixa por difamação contra o advogado Robert Bourgi. Ele afirma ter transportado malas com dinheiro entre 1995 e 2005, incluindo US$ 10 milhões de líderes do Senegal, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gabão e República Democrática do Congo para a campanha presidencial de Chirac em 2002. Como isso é possível ? Segundo um relatório médico do neurologista Olivier Lyon-Caen, e levado em conta pela Justiça, o estado de saúde do ex-prefeito o deixou vulnerável, mas não incapaz de responder por si mesmo. Se esse caso for à Justiça, mais uma vez, Jacques Chirac poderá apelar à sua fragilidade mental. Sua defesa seria baseada em documentos e depoimentos de testemunhas.

Nesses últimos tempos, a imagem de Chirac tem se degradado cada vez mais. E quem está por trás disso é o atual poderoso chefão da França, Nicolas Sarkozy. A rivalidade entre eles nunca foi novidade para ninguém, mas ela se tornou mais explícita depois da publicação da biografia de Chirac. O ex-presidente parece ter perdido a cabeça também quando anúnciou publicamente sua preferência por François Hollande, candidato socialista à eleição presidencial e principal concorrente de Sarkozy.

A revanche veio certeira. O pivô do atual escândalo contra Jacques Chirac e ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin era um conselheiro oculto do atual governo. Por mais que Robert Bourgi e o ministro do Interior, Claude Guéant, tentem negar, sua relação estreita com o Elysée é um caso antigo. No dia 27 de setembro de 2007, quatro meses após a chegada de Nicolas Sarkozy ao poder, o advogado recebeu das mãos do novo presidente uma medalha de cavaleiro da Legião de Honra, com o discurso : « Acredito, caro Robert, poder contar com a sua participação na política internacional da França, com eficiência e discrição ».

Curiosamente, o autor das acusações diz que o repasse de verbas ilegal dos países africanos ao governo francês foi interrompido com a entrada de Nicolas Sarkozy no poder. Vamos ver até quando essa versão será sustentada.

 

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