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É improvável que Irã abra estreito de Ormuz em breve, avalia inteligência dos EUA

Relatórios indicam que Teerã dificilmente abrirá rota estratégica no curto prazo, enquanto Donald Trump afirma que passagem pode ser liberada em breve

Navio-tanque de gás GLP ancorado no Estreito de Ormuz, em Shinas, Omã (Foto: Benoit Tessier/Reuters)

247 - Relatórios recentes da inteligência dos Estados Unidos indicam que o Irã não deve liberar o Estreito de Ormuz no curto prazo, mantendo o controle sobre uma das principais rotas globais de petróleo. As informações foram divulgadas pela agência Reuters, com base em fontes familiarizadas com o tema.

Segundo três fontes ouvidas pela reportagem, a avaliação é de que Teerã considera o domínio sobre o estreito como sua principal vantagem estratégica diante dos EUA. O controle da via marítima, responsável por cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo, permite ao país influenciar diretamente os preços globais de energia.

Ainda de acordo com os relatos, a manutenção dessa pressão pode ser utilizada como instrumento para forçar o governo norte-americano a buscar uma solução rápida para o conflito, que já dura quase cinco semanas e enfrenta resistência entre eleitores dos Estados Unidos.

As análises da inteligência também apontam que, ao contrário do objetivo inicial de enfraquecer o Irã, a guerra pode ampliar a influência regional de Teerã. Isso ocorreria ao evidenciar sua capacidade de impactar uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.

Apesar desse cenário, o presidente Donald Trump tem adotado um tom mais otimista sobre a reabertura da passagem. Em publicação na plataforma Truth Social, ele declarou: "Com um pouco mais de tempo, podemos facilmente ABRIR O ESTREITO DE HORMUZ, TOMAR O PETRÓLEO E GANHAR UMA FORTUNA".

Uma autoridade da Casa Branca, sob condição de anonimato, afirmou que Trump está "confiante de que o estreito será aberto muito em breve". Segundo essa fonte, o governo norte-americano não pretende permitir que o Irã controle o tráfego na região após o fim do conflito.

A mesma autoridade destacou ainda que outros países teriam maior interesse direto na reabertura da rota marítima do que os próprios Estados Unidos, em razão da dependência global do petróleo transportado pelo estreito.

Por outro lado, as fontes ligadas à inteligência reforçam que a expectativa é de continuidade do bloqueio. "Certamente, agora que o Irã experimentou seu poder e sua influência sobre o estreito, ele não desistirá tão cedo", afirmou uma delas. Todas pediram anonimato para comentar o conteúdo dos relatórios.