Eleição no Chile tem conflito e prisões

Lideranças governistas foram insultadas e questionadas sobre a sua relação com a ditadura de Pinochet; presidente Sebastian Pinera apoia Evelyn Matthei, que deve ser derrotada para Michele Bachelet

Lideranças governistas foram insultadas e questionadas sobre a sua relação com a ditadura de Pinochet; presidente Sebastian Pinera apoia Evelyn Matthei, que deve ser derrotada para Michele Bachelet
Lideranças governistas foram insultadas e questionadas sobre a sua relação com a ditadura de Pinochet; presidente Sebastian Pinera apoia Evelyn Matthei, que deve ser derrotada para Michele Bachelet (Foto: Leonardo Attuch)
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Do Opera Mundi - O Chile viveu uma manhã bastante conturbada durante o início da votação do segundo turno presidencial, neste domingo (15/12). Os incidentes que mais chamaram a atenção aconteceram nos colégios eleitorais das candidatas Michelle Bachelet e Evelyn Matthei, mas os momentos mais tensos foram sido vividos por um ex-candidato.

Pablo Longueira, vencedor das primárias governistas, foi insultado por um grupo de eleitores enquanto realizava seu voto. O ex-ministro de Economia do governo de Sebastián Piñera era o candidato da direita nestas eleições, mas renunciou à candidatura em julho por um quadro de depressão, sendo substituído por Matthei.

Após emitir seu voto, Longueira foi cercado por um grupo de dez pessoas, que o ofenderam e questionaram sua vinculação com a ditadura. Durante a década de 1980, Longueira presidiu a Federação de Estudantes da Universidade do Chile, designado pelo próprio ditador Augusto Pinochet. O ex-candidato tentou sair rapidamente do local de votação, mas, enquanto deixava as imediações do colégio, seu carro foi alvo de chutes e cusparadas. A polícia prendeu três mulheres e um homem.

Outros incidentes aconteceram no mesmo colégio, enquanto votava a candidata Evelyn Matthei, que também foi alvo de insultos, mas que não chegaram a agressões. Matthei foi ministra do Trabalho durante o governo de Piñera e seu pai, o brigadeiro Fernando Matthei, foi membro da Junta Militar durante a ditadura.

No Estádio Nacional, que reúne o maior número de mesas eleitorais do país, também houve conflitos, pois algumas pessoas foram proibidas de entrar no local de votação por levarem faixas e outros objetos em favor do movimento Marca AC, que tenta instalar uma assembleia constituinte no Chile.  O comando militar, responsável por resguardar o estádio e os demais locais de votação do país, divulgou nota a respeito, alegando que “esse tipo de movimento gera brigas e discussões entre os eleitores, e nosso trabalho é evitar isso”.

Bachelet

Logo após votar nesta manhã, a favorita Bachelet disse estar convencida que “hoje será um grande dia”.

Em uma tumultuada e breve entrevista coletiva, a ex-presidente fez algumas considerações sobre a possibilidade de alta abstenção no pleito. "Na democracia ganha quem tem mais votos. A legitimidade não depende de quanta gente vai votar" , afirmou a opositora.

Piñera comete gafes

O presidente Sebastián Piñera também votou pela manhã e não enfrentou maiores conflitos em seu colégio, no centro de Santiago. O mandatário, porém, protagonizou um par de gafes durante o procedimento de votação. Primeiro, deixou de colocar o selo em sua cédula de votação, para que pudesse validar seu sufrágio, o que o obrigou a ter que votar por uma segunda vez. Depois, esqueceu sua identidade na mesa de votação e foi salvo por um mesário, que correu até ele para devolver o documento.

Ao deixar o local, Piñera falou com a imprensa e revelou que também teme uma alta taxa de abstenção, que colocaria lançaria dúvidas novamente sobre o sistema de voto voluntário – nenhuma das eleições com voto voluntário no Chile teve mais de 50% de participação dos eleitores. “Hoje é um dia muito importante para a democracia e os chilenos precisam entender isso. Aqueles que não votam estão demonstrando uma grande falta de carinho pelo país”, declarou o presidente chileno.

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