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Enviados dos EUA pressionam Netanyahu por reabertura de Rafah

Jared Kushner e Steve Witkoff pedem abertura da passagem com o Egito, enquanto Israel resiste a pressões sobre Hamas e rejeita Turquia no pós-guerra

Caminhões levando ajuda humanitária atravessam a pasagem de Rafah entre o Egito e a Faixa de Gaza (Foto: Stringer/Reuters)

247 - Os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff instaram o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a reabrir a passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, durante conversas realizadas em Jerusalém. As informações foram divulgadas neste domingo (25) por meios de comunicação israelenses e têm como base apuração da agência AFP.

Segundo a AFP, a pressão dos representantes dos Estados Unidos ocorre em meio às tentativas de consolidar o cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro e de ampliar o acesso humanitário à Faixa de Gaza, território palestino fortemente afetado pela guerra. A passagem de Rafah é considerada um ponto estratégico para a entrada e saída de ajuda, mas segue fechada, apesar das previsões incluídas no acordo de trégua.

Na última quinta-feira, Ali Shaath, recém-nomeado administrador de Gaza no âmbito do plano do presidente americano Donald Trump para encerrar definitivamente o conflito, afirmou que a passagem de Rafah deverá ser reaberta “em ambas as direções” na próxima semana. A declaração elevou as expectativas de retomada do fluxo humanitário e de circulação controlada entre Gaza e o Egito.

Apesar disso, o governo israelense mantém resistências. De acordo com o site de notícias Ynet, que citou um funcionário israelense sob condição de anonimato, Steve Witkoff pressionou Netanyahu durante uma reunião realizada no sábado para que a reabertura de Rafah ocorra sem que Israel aguarde a devolução do corpo de Ran Gvili, apontado como o último refém israelense mantido em Gaza pelo Hamas.

O mesmo funcionário afirmou que Witkoff também abordou a possibilidade de a Turquia desempenhar algum papel no futuro de Gaza, hipótese que gera forte rejeição em setores do governo israelense. Em declaração atribuída ao interlocutor pelo Ynet, ele afirmou:

“Witkoff tem pressionado para que nosso maior rival, a Turquia, chegue à nossa fronteira (...), o que constituiria uma verdadeira ameaça à nossa segurança”.

Ainda segundo essa fonte, o enviado americano teria “se tornado um lobista dos interesses do Catar”, acusação que acrescenta tensão às negociações diplomáticas envolvendo os mediadores regionais do conflito.

Questionada sobre as informações divulgadas pela imprensa israelense, a porta-voz de Netanyahu, Shosh Bedrosian, declarou que iria verificar o conteúdo das reportagens, sem comentar diretamente as acusações ou as pressões atribuídas aos enviados americanos.

Netanyahu, por sua vez, tem rejeitado de forma reiterada qualquer envolvimento da Turquia no cenário do pós-guerra em Gaza. A posição do primeiro-ministro contrasta com o convite feito por Donald Trump ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan para integrar um eventual “Conselho de Paz”, iniciativa defendida por Washington como parte de um arranjo internacional para a reconstrução e a governança futura do território palestino.