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EUA atacam instalações iranianas após ofensiva com drones no Estreito de Ormuz

Escalada militar entre Washington e Teerã aumenta tensão no Golfo Pérsico, afeta rotas marítimas estratégicas e dificulta negociações por cessar-fogo

EUA atacam instalações iranianas após ofensiva com drones no Estreito de Ormuz (Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)
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247 - Os Estados Unidos realizaram ataques contra instalações de radar iranianas localizadas no Estreito de Ormuz neste sábado (6), após forças americanas interceptarem drones lançados pelo Irã em direção à estratégica rota marítima. A informação foi divulgada pelo Comando Central dos EUA e reportada pela agência Reuters.

Segundo a Reuters, a nova troca de ataques representa mais um capítulo da escalada militar entre Washington e Teerã, que já dura três meses e vem comprometendo os esforços diplomáticos para encerrar o conflito. O Estreito de Ormuz é considerado uma das vias mais importantes para o transporte global de petróleo, o que amplia o impacto internacional da crise.

De acordo com um oficial americano ouvido pela Reuters, os quatro drones iranianos abatidos tinham como alvo o tráfego marítimo da região. Em resposta, os Estados Unidos atacaram centros de vigilância iranianos localizados em Goruk e na Ilha de Qeshm, ambos situados ao longo do estreito.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter retaliado os ataques americanos com o lançamento de mísseis contra bases dos EUA no Oriente Médio. O grupo também declarou ter disparado contra quatro petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz sem autorização iraniana.

A tensão se espalhou rapidamente pela região. No Kuwait, sistemas de defesa aérea interceptaram mísseis e drones de origem não identificada, segundo a imprensa estatal. No Bahrein, sirenes de alerta foram acionadas e moradores receberam orientações para procurar abrigo. Autoridades iranianas afirmaram ter atingido bases militares americanas nos dois países com mísseis balísticos.

Os militares dos Estados Unidos, no entanto, informaram que seis mísseis foram interceptados e que um sétimo projétil não atingiu seu alvo.

Negociações enfrentam impasse

Apesar da intensificação dos confrontos, Washington e Teerã mantêm negociações, em grande parte indiretas, para tentar alcançar um acordo provisório que encerre a guerra. Questões mais complexas, como o programa nuclear iraniano, seriam tratadas em etapas posteriores das conversas.

As divergências, porém, continuam significativas. O governo iraniano exige acesso a bilhões de dólares em receitas petrolíferas, flexibilização das sanções sobre exportações de petróleo, desbloqueio de seus portos e influência sobre a navegação no Estreito de Ormuz.

Antes do início da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo passava pela rota marítima. Desde o início do conflito, o fluxo de embarcações foi drasticamente reduzido, provocando impactos nos mercados globais de energia.

Trump diz que arsenal iraniano foi reduzido

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta pressão interna diante da alta dos preços dos combustíveis e dos custos associados ao conflito. Em entrevista ao programa "Meet the Press", da NBC News, Trump afirmou que a maior parte da capacidade iraniana de produção de drones e mísseis foi destruída, mas reconheceu que Teerã ainda mantém uma parcela relevante de seu arsenal.

"Eles têm alguns mísseis, eles têm alguns drones. Eu diria que, em termos percentuais, talvez 21% a 22% de seus mísseis. É uma grande quantidade de mísseis, mas não é o que era quando atacamos pela primeira vez", declarou Trump.

Questionado sobre o motivo de os líderes iranianos ainda resistirem a um acordo, apesar das dificuldades enfrentadas pelo país, o presidente respondeu:

"Porque eles são fortes. Eles são orgulhosos. Há coisas que eles nunca imaginaram que estariam fazendo e que terão que fazer, porque não têm escolha, e isso leva algum tempo."

Impacto global da guerra

Desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a ofensiva militar contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã passou a lançar mísseis e drones contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas. O governo iraniano também restringiu significativamente a navegação pelo Estreito de Ormuz.

A guerra provocou forte volatilidade nos preços do petróleo e gerou interrupções em cadeias globais de suprimentos. Na sexta-feira (5), o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas alertou que milhões de pessoas podem ser empurradas para a fome em razão do aumento dos custos de combustível e transporte.

Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo iraniano, afirmou à CNN que qualquer acordo de paz dependerá do desbloqueio de US$ 24 bilhões em ativos iranianos atualmente congelados. Ele também advertiu que os Estados Unidos entrarão em "um corredor sombrio" caso retomem novos ataques contra o país.

Hezbollah amplia tensão no Líbano

Paralelamente ao confronto entre Estados Unidos e Irã, o Oriente Médio também registra uma nova escalada de violência no Líbano. O Hezbollah, grupo armado apoiado por Teerã, informou ter realizado dois ataques contra tropas israelenses no sul do país, incluindo uma ação nas proximidades do Castelo de Beaufort, recentemente ocupado por Israel.

Autoridades de segurança libanesas relataram que bombardeios israelenses atingiram diversas localidades do sul do Líbano. O Irã reiterou seu apoio ao Hezbollah e mantém a exigência de retirada das forças israelenses do território libanês como condição para qualquer acordo de paz mais amplo com Washington.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou nesta semana um acordo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o governo do Líbano. Segundo ele, o entendimento não prevê a retirada das tropas israelenses e foi negociado sem participação do grupo.

Israel, por sua vez, continua realizando operações militares no sul do Líbano e já sinalizou que não pretende interromper suas ações ou retirar suas forças da região no curto prazo.

Enquanto isso, moradores do Líbano, da Faixa de Gaza, do norte de Israel e do Kuwait enfrentaram novos episódios de violência ao longo da semana, apesar das tentativas de cessar-fogo patrocinadas pelos Estados Unidos.