EUA iniciam evacuação de bases próximas ao Irã
Movimentação militar americana no Catar e no Bahrein eleva tensão regional enquanto Teerã diz que apresentará proposta de acordo em até três dias
247 - Os Estados Unidos iniciaram a evacuação de recursos militares de bases próximas ao Irã, em um movimento que intensificou a percepção de escalada no Oriente Médio. Imagens de satélites chineses indicam a retirada de ativos americanos do Catar e da base naval no Bahrein, com a maior parte dos meios aéreos sendo transferida para a Arábia Saudita. As informações sobre as negociações foram divulgadas pela emissora americana MSNBC.
No campo diplomático, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã poderá apresentar aos Estados Unidos, nos próximos dias, uma minuta de proposta para um novo acordo nuclear. A declaração foi feita em entrevista à MSNBC, após a segunda rodada de negociações indiretas mediadas por Omã, realizada em Genebra.
Segundo Araghchi, as discussões trataram tanto do programa nuclear iraniano quanto das sanções impostas por Washington. “Tivemos conversas muito boas há alguns dias”, declarou. Ele acrescentou que os dois lados “concordaram com um conjunto de princípios ou diretrizes para nossa negociação e para a forma como um acordo pode ser estruturado”.
O chanceler iraniano afirmou ainda que o próximo passo será compartilhar uma versão preliminar do texto com seus “contrapartes” americanos. “Acredito que nos próximos dois ou três dias isso estará pronto”, disse, observando que poderá ser necessária uma nova reunião para avaliar o conteúdo após a troca de mensagens.
A movimentação diplomática ocorre em meio a um cenário de pressão crescente. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu na quinta-feira um prazo de dez dias para que o Irã alcance um entendimento com Washington, alertando que o descumprimento poderá levar a medidas decisivas. Nas últimas semanas, os EUA enviaram dois grupos de ataque de porta-aviões e bombardeiros adicionais ao Oriente Médio.
Em resposta, a República Islâmica realizou exercícios militares com munição real e advertiu que poderá atingir bases americanas na região caso seja alvo de ataques. Apesar do clima de tensão, Araghchi negou que haja imposição de condições absolutas por parte de Washington. “O presidente Trump e sua equipe estão interessados em um acordo rápido”, afirmou, ressaltando que não havia “nenhum ultimato” para que o Irã aceitasse enriquecimento nuclear zero.
Trump retirou unilateralmente os EUA do acordo nuclear de 2015 durante seu primeiro mandato e restabeleceu sanções contra Teerã. Desde então, tem defendido o desmantelamento do programa nuclear iraniano e restrições à capacidade de produção de mísseis balísticos. Em junho de 2025, os Estados Unidos atacaram instalações nucleares iranianas durante a guerra aérea de 12 dias entre Israel e Irã.
Araghchi reiterou que o programa nuclear do país tem fins pacíficos e afirmou que pressões militares não serão eficazes. “Estamos preparados para a diplomacia e para a negociação, assim como estamos preparados para a guerra”, declarou.
A Rússia também entrou no debate. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, classificou o impasse como “potencialmente explosivo” e pediu uma solução pacífica. Em entrevista à emissora Al Arabiya, Lavrov acusou os Estados Unidos de “brincar com fogo” e advertiu que ataques às instalações nucleares iranianas poderiam provocar um desastre nuclear.
Lavrov afirmou que Moscou apoia o direito de Teerã ao enriquecimento pacífico de urânio e atribuiu as tensões atuais à saída dos EUA do acordo de 2015. Neste mês, confirmou que a Rússia está pronta para aceitar urânio iraniano, caso Teerã aprove a medida, ampliando as possibilidades de rearranjo diplomático em meio ao ambiente de crescente instabilidade regional.