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Europa pode ganhar novo menor país do mundo para corrente islâmica

O plano foi anunciado em 2024 e está em fase de elaboração legislativa

Divulgação

247 - A Albânia discute a criação de um microestado islâmico dentro de seu território, proposta que pode resultar no menor país do mundo. A informação foi divulgada pelo g1, com base em declarações do governo albanês e reportagens internacionais sobre o tema.

O plano foi anunciado em 2024 pelo primeiro-ministro Edi Rama e ainda está em fase de elaboração legislativa, sem votação no Parlamento até o momento. A proposta prevê a criação de um enclave soberano na capital Tirana, destinado à Ordem Bektashi, uma vertente do islamismo de tradição sufista.

Caso seja aprovado, o novo território teria cerca de 100 mil metros quadrados — equivalente a aproximadamente cinco quarteirões de Nova York — tornando-se menor que o Vaticano, atualmente o menor país do mundo, com cerca de 440 mil metros quadrados.

A área escolhida abriga o Centro Mundial Bektashi e deverá funcionar como um Estado independente, com administração própria, emissão de passaportes e controle de fronteiras, seguindo um modelo semelhante ao do Vaticano. A proposta, no entanto, apresenta características distintas, com foco mais simbólico e espiritual do que político.

Edi Rama descreveu a iniciativa como um espaço voltado à promoção da tolerância religiosa e da convivência pacífica. Segundo ele, o microestado seria "sem muros, sem polícia, sem exército, sem impostos ou outros atributos, mas uma sede, um estado espiritual".O premiê também destacou a intenção de combater estigmas associados ao islamismo. “Não deixem que o estigma dos muçulmanos defina quem são os muçulmanos”, afirmou.De acordo com o projeto, o novo país permitiria práticas e costumes considerados liberais dentro do contexto islâmico, como o consumo de álcool e a liberdade de vestimenta para as mulheres, refletindo a interpretação mais flexível da fé adotada pelos Bektashi.

A liderança do eventual Estado ficaria a cargo de Edmond Brahimaj, conhecido como Baba Mondi, que defende uma abordagem moderada da religião. “Deus não proíbe nada; é por isso que nos deu mentes”, declarou ao explicar sua visão.Apesar das justificativas do governo, a proposta enfrenta resistência dentro da própria Albânia. A Comunidade Muçulmana do país criticou a iniciativa e alertou para possíveis impactos institucionais. “Esta iniciativa, da qual tomamos conhecimento através da mídia, não foi discutida com as comunidades religiosas”, afirmou a entidade, que também classificou o plano como “um precedente perigoso para o futuro do país”.

Especialistas também levantam preocupações sobre possíveis efeitos no equilíbrio religioso e político. O pesquisador Besnik Sinani argumentou que não há justificativa concreta para a criação de um novo Estado. “Argumentar que esse suposto Estado Bektashi terá um impacto positivo no clima de tolerância da região é, portanto, infundado”, disse.Segundo ele, a medida pode ainda “perturbar os arranjos históricos da relação entre religião e Estado na Albânia”, além de abrir espaço para interpretações internacionais que rotulem o país como um “Estado islâmico”.

Mesmo diante das críticas, a Ordem Bektashi sustenta que o projeto tem caráter exclusivamente espiritual e reafirma que o objetivo do novo território será atuar como centro de liderança religiosa, sem pretensões políticas ou expansionistas.