Europa se posiciona contra o Irã após agressão dos Estados Unidos e de Israel
Kaja Kallas afirma que regime iraniano ameaça segurança global, defende sanções da União Europeia e diz que proteção de civis é prioridade no Oriente Médio
247 - A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou neste sábado (28) que a escalada militar no Oriente Médio representa um cenário perigoso e voltou a responsabilizar o regime iraniano por ameaças à segurança internacional. As declarações foram publicadas por ela na rede social X após os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, conforme noticiado pela agência Reuters.
Ao comentar o agravamento da crise, Kallas escreveu que “os últimos acontecimentos no Oriente Médio são perigosos”. Em seguida, fez críticas diretas a Teerã: “o regime do Irã matou milhares. Seus programas de mísseis balísticos e nuclear, juntamente com o apoio a grupos terroristas, representam uma séria ameaça à segurança global”.
A diplomata destacou que o bloco europeu mantém medidas restritivas contra o Irã e segue defendendo a via diplomática como alternativa ao confronto armado. “A União Europeia adotou sanções severas contra o Irã e apoiou soluções diplomáticas, inclusive na questão nuclear”, afirmou.
Kallas informou ainda que mantém diálogo com autoridades da região na tentativa de conter a escalada. “Conversei com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Saar, e com outros ministros da região. A União Europeia também está coordenando de perto com parceiros árabes para explorar caminhos diplomáticos”, declarou.
Segundo ela, a prioridade imediata da União Europeia é a proteção de civis e o respeito ao direito internacional humanitário. “A proteção de civis e o direito internacional humanitário são prioridade. Nossa rede consular está totalmente mobilizada para facilitar a saída de cidadãos da União Europeia. Funcionários não essenciais da UE estão sendo retirados da região.” A chefe da diplomacia europeia acrescentou que “nossa missão naval Aspides permanece em alto estado de alerta no Mar Vermelho e está pronta para ajudar a manter o corredor marítimo aberto”.
O posicionamento europeu ocorre após uma ofensiva militar conjunta de Washington e Tel Aviv contra alvos iranianos. De acordo com a Reuters, a ação abriu uma nova frente de conflito no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que a operação tem como objetivo neutralizar ameaças à segurança dos Estados Unidos e impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
Segundo o Pentágono, a ofensiva foi batizada de “OPERAÇÃO FÚRIA ÉPICA”. Autoridades americanas ouvidas pela Reuters, sob condição de anonimato, informaram que a campanha militar poderá se estender por vários dias. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel, conforme informou o Exército israelense.
Em mensagem em vídeo, Trump declarou: “Nosso objetivo é defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano.” Ele também afirmou que os Estados Unidos conduzem uma operação “massiva e contínua” contra a República Islâmica.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque conjunto “criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome as rédeas do seu destino”. Em comunicado, acrescentou: “Chegou a hora de todos os setores da população do Irã... removerem o jugo da tirania (do regime) e construírem um Irã livre e pacífico”.
A nova escalada ocorre em meio a impasses nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. Potências ocidentais acusam Teerã de desenvolver mísseis balísticos que ameaçam a estabilidade regional e poderiam, se avançarem, transportar ogivas nucleares. O governo iraniano nega buscar armas atômicas, mas afirma que responderá a qualquer ataque e que poderá retaliar bases americanas na região.
Diante do agravamento da crise, a União Europeia reforça sua estratégia de combinar sanções, articulação diplomática e medidas de proteção consular, enquanto o conflito reacende tensões históricas no Oriente Médio e amplia a incerteza sobre o futuro das negociações nucleares.