Ex-procuradora-geral da Venezuela quer compartilhar investigações sobre Odebrecht

Ex-procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega afirmou nesta quarta-feira que vai encaminhar a autoridades do Brasil, dos Estados Unidos, do México, da Espanha e da Colômbia documentos referentes a investigações da Odebrecht conduzidas por ela na Venezuela antes de ser destituída do cargo; ela também acusou o ex-vice-presidente venezuelano Disdalo Cabello, aliado do atual presidente daquele país Nicolás Maduro, de ter recebido US$ 100 milhões da Odebrecht por meio de uma empresa espanhola

Ex-procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega afirmou nesta quarta-feira que vai encaminhar a autoridades do Brasil, dos Estados Unidos, do México, da Espanha e da Colômbia documentos referentes a investigações da Odebrecht conduzidas por ela na Venezuela antes de ser destituída do cargo; ela também acusou o ex-vice-presidente venezuelano Disdalo Cabello, aliado do atual presidente daquele país Nicolás Maduro, de ter recebido US$ 100 milhões da Odebrecht por meio de uma empresa espanhola
Ex-procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega afirmou nesta quarta-feira que vai encaminhar a autoridades do Brasil, dos Estados Unidos, do México, da Espanha e da Colômbia documentos referentes a investigações da Odebrecht conduzidas por ela na Venezuela antes de ser destituída do cargo; ela também acusou o ex-vice-presidente venezuelano Disdalo Cabello, aliado do atual presidente daquele país Nicolás Maduro, de ter recebido US$ 100 milhões da Odebrecht por meio de uma empresa espanhola (Foto: Paulo Emílio)

Ricardo Brito, Reuters - A ex-procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega afirmou nesta quarta-feira que vai encaminhar a autoridades do Brasil, dos Estados Unidos, do México, da Espanha e da Colômbia documentos referentes a investigações da Odebrecht conduzidas por ela na Venezuela antes de ser destituída do cargo, para garantir que as apurações tenham continuidade. Ela também acusou o ex-vice-presidente venezuelano Disdalo Cabello, aliado do atual presidente daquele país Nicolás Maduro, de ter recebido 100 milhões de dólares da Odebrecht por meio de uma empresa espanhola que tem como proprietários formais dois primos dele, Jorge Alfredo Cabello e Jerson Jesús Campos Cabello.

De passagem por Brasília, onde participou como visitante de um encontro de chefes de Ministérios Públicos do Mercosul, Ortega disse ter sofrido um processo de deposição sumário após começar a investigar casos de corrupção da empreiteira brasileira e outros envolvendo pessoas ligadas ou próximas ao alto escalão do governo do presidente Nicolás Maduro.

"A comunidade internacional tem que investigar esses casos", defendeu a ex-procuradora em entrevista coletiva, citando, por exemplo, que uma das empresas que estava sob investigação dela era de origem mexicana e responsável por atuar na distribuição de alimentos para a população venezuelana.

Ortega acusou a Assembleia Constituinte da Venezuela de ter se tornado uma "inquisição" com poderes para perseguir e punir qualquer pessoa que seja tida como de oposição ao regime encabeçado por Maduro.

A ex-procuradora-geral afirmou que na Venezuela não há Estado democrático e exortou os colegas da região a repudiarem ações arbitrárias como a que ocorre em sua terra natal, sob o risco de a prática se espraiar pelo continente.

"A Venezuela é o corredor da morte do Direito", afirmou.

A ex-procuradora disse que também detém documentos sobre irregularidades no processo de distribuição de alimentos da Venezuela que envolveriam Maduro. Ela disse que o presidente venezuelano é o dono oculto de uma empresa sediada no México responsável por esses repasses de alimentos.

"A comunidade internacional tem que investigar esses casos", defendeu. Ela anunciou que vai encaminhar a autoridades dos Estados Unidos, do México, da Espanha e do Brasil documentos referentes a investigações da Odebrecht e de outras irregularidades envolvendo Maduro e pessoas próximas ao regime comandado por ele.

Luisa Ortega disse ter sido deposta sumariamente pela Assembleia Constituinte da Venezuela após começar a investigar esses casos de corrupção. Ela acusou o recém-eleito órgão legislativo de se tornar uma "inquisição" com poderes para perseguir e punir qualquer pessoa que seja tida como adversário político do atual regime.

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