Fechamento de Ormuz durante cessar-fogo seria “completamente inaceitável”, diz Casa Branca
Porta-voz dos EUA voltou a exigir a reabertura do estreito
247 - A Casa Branca afirmou nesta quarta-feira (8) que considera “completamente inaceitável” qualquer tentativa de interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, em meio ao cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã. A declaração ocorre após relatos iniciais de que Teerã teria fechado a passagem estratégica horas após o início da trégua.
Segundo a revista Time, a secretária de imprensa Karoline Leavitt contestou as informações divulgadas pela mídia estatal iraniana, que apontavam o fechamento do estreito em resposta a ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano.
Durante coletiva, Leavitt afirmou que, mesmo sem confirmação do bloqueio, a posição dos EUA é clara. “Completamente inaceitável”, disse, ao comentar a possibilidade de interrupção da navegação na região. Ela também classificou o cessar-fogo como “uma vitória para os Estados Unidos da América”.
O anúncio da trégua ocorreu na noite de terça-feira (7), pouco antes do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump, que havia ameaçado destruir a “civilização” iraniana caso não houvesse acordo. A Casa Branca atribui a aceitação iraniana à pressão militar exercida por Washington.
Apesar do acordo, permanecem impasses. O Irã não assumiu compromisso de interromper o desenvolvimento de mísseis balísticos, nem de cessar o apoio a forças aliadas na região, tampouco abandonou seus planos nucleares.
Leavitt informou que negociadores americanos liderados pelo vice-presidente JD Vance, com participação de Jared Kushner e Steve Witkoff, se reunirão com representantes iranianos no sábado (11), em Islamabad, no Paquistão.
O Irã apresentou uma proposta de cessar-fogo em dez pontos, rejeitada inicialmente pelos EUA. Segundo a porta-voz, uma nova versão foi enviada posteriormente e considerada “mais razoável e totalmente diferente”. Trump avaliou o documento como “uma base viável para negociação”.
A porta-voz também afirmou que há divergência entre o discurso público iraniano e as conversas privadas. “Os comentários públicos do Irã são diferentes do que dizem a portas fechadas”, declarou.
No campo militar, Leavitt afirmou que os ataques americanos causaram danos significativos à estrutura iraniana, incluindo 450 bombardeios contra instalações de mísseis balísticos e 800 ataques a estruturas de drones. Segundo ela, a frota de submarinos e cerca de 150 embarcações navais foram destruídas, além de estoques de aproximadamente 5 mil minas marítimas.
Sobre o Estreito de Ormuz, Trump chegou a sugerir a cobrança de pedágios conjuntos entre EUA e Irã para a passagem de navios. Leavitt afirmou que a ideia foi apenas “considerada”, e reiterou que o objetivo é manter a rota “aberta sem qualquer tipo de limitação, como tarifas ou outras restrições”.


