Francesa também acusa Strauss-Kahn de estupro

Escritora diz que chefo do FMI tentou fazer sexo fora com ela;em Nova York,juiz determina que ele continue preso na Ilha Rikers, ao lado de traficantes

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Roberta Namour, correspondente Brasil 247 em Paris_ Desde a tarde de sábado, a notícia da prisão preventiva do então chefe do FMI, Dominique Strauss-Kahn, caiu como uma bomba para a bancada socialista da França. O francês todo poderoso pode pegar até 26 anos de cadeia pela acusação de agressão sexual contra uma camareira do hotel Sofitel, em Nova York. Na noite desta segunda-feira, foi transferido para a Ilha Rikers, onde estão outros 17 mil detentos. DSK, como ele é chamado, está ao lado de traficantes. 

Tudo começou às 13 horas de sábado em Nova York, quando a camareira de origem africana bateu à porta da suite 2806 para limpá-la. Sem obter resposta, entrou no quarto que possui um hall de entrada, uma sala de conferência, uma sala de jantar, um quarto e um banheiro. Sua diária custa 3 mil dólares. Quando chegou próximo ao quarto, ela encontrou DSK nu, saindo do banheiro. Foi neste momento que ele pulou sobre ela para agredí-la sexualmente. Eles começaram a se debater. Empurrada a entrada do banheiro, ele a forçou a cometer um sexol oral, sem sucesso. Em seguida ela conseguiu fugir e preveniu as autoridades do hotel. Quando os policiais chegaram, DSK já tinha partido, mas deixou o celular para trás. Foi desta forma que a sua localização foi descoberta. Minutos depois ele foi preso dentro do avião da Air France que se preparava para decolar. Esse foi o relato da vítima revelado por Paul J Browne, comissário adjunto e porta-voz da polícia de Nova York.

Desde então, o francês passou por um interrogatório de mais de três horas, foi submetido a dois exames de corpo-delito, foi reconhecido pela vítima e fichado na polícia. Ele aguarda o julgamento detido. A notícia foi considerada absurda por seus colegas da esquerda, assim como por sua esposa. Porém, um outro caso semelhante na França envolvendo o chefão do FMI foi confirmado nesta manhã pela mãe da vítima, Anne Mansouret – curiosamente uma conselheira do partido socialista na região da Haute-Normandie. O crime teria acontecido em 2002 e não foi denunciado à polícia, talvez por medo da influencia do poderoso DSK, ou para não enfraquecer a já vulnerável esquerda francesa.

Na época, a escritora Tristane Banon contatou DSK para uma entrevista para seu livro. Aos 23 anos, a jovem com rosto angelical foi orientada a encontrá-lo em um endereço que a pareceu estranho. Filha de uma integrante do partido socialista ela percebeu que não se tratava de uma das sedes do PS nem de sua residência. Chegando lá, se deparou com um apartamento vazio, com apenas uma cama, uma TV e uma câmera de video. Segundos depois de começar a entrevista, a jornalista foi submetida a carícias e terminou se debatendo no chão contra DSK. Ele abriu seu sutiã e tentou tirar sua calça jeans. Ela consegui fugir depois de atingí-lo com um pontapé. Um dossiê foi montado com o auxílio de um advogado que já tinha reunido uma pilha de outras acusações do gênero contra o mesmo homem. Temendo ver sua carreira como escritora influenciada pelo acontecimento, ela desistiu de denunciá-lo. Sua mãe apenas foi tirar satisfações com o político, que se defendeu dizendo ter perdido a cabeça. Hoje o caso volta à tona. « Meu erro foi pensar que era apenas um momento de loucura », disse nesta manhã Anne Mansouret.

A falta de controle de DSK de seus impulsos sexuais não parece um segredo aos franceses. No dia 28 de abril, em Paris, durante uma conversa com o jornal Libération, o então chefe do FMI teria revelado suas três principais dificuldades de superação : o dinheiro, as mulheres e o judaísmo. « Sim, eu amo as mulheres, e daí? Durante muitos anos falam de fotos, de orgias gigantes, mas eu nunca vi nenhuma prova ... eles que mostrem », completou ele. O dia do juízo final pode enfim ter chegado a DSK.

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