Governo do México pede perdão ao povo maia por 5 séculos de violência

O Estado mexicano ofereceu um pedido de desculpas ao povo maia originário da península de Iucatã pelos abusos cometidos durante cinco séculos, incluindo os quase 300 anos de colônia espanhola e os 200 anos de México

Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador
Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador (Foto: REUTERS/Henry Romero)
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Sputnik - O Estado mexicano ofereceu um pedido de desculpas ao povo maia originário da península de Iucatã pelos abusos cometidos durante cinco séculos, incluindo os quase 300 anos de colônia espanhola e os 200 anos de México, que se cumprem neste ano.

O pedido de perdão foi feito nesta segunda-feira (3), em um ato chefiada pelos presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador, e da Guatemala, Alejandro Giammattei.

"Aqui, por um imperativo de ética governamental, mas também por nossa própria convicção, oferecemos as mais sinceras desculpas ao povo maia pelos terríveis abusos cometidos por indivíduos e autoridades, nacionais e estrangeiras, na conquista [espanhola], durante os três séculos de dominação colonial e dois séculos de independência do México", disse o presidente em um discurso proferido no chamado Santuário da Cruz Falante, no estado de Quintana Roo, situado na costa leste da península de Iucatã.

O presidente escolheu esta data para um evento intitulado "Fim da Guerra de Castas e cerimônia do perdão aos povos originários", que sobreviveram à "guerra de extermínio" comandada por militares mexicanos.

A chamada Guerra de Castas foi um conflito social liderado pelos povos maias que habitam a península de Iucatã, quando protagonizaram um levante armado.

Pedido de perdão pelas agressões ao povo maia. Fim da Guerra de Castas, de Quintana Roo. 

Em julho de 1847, os maias se insurgiram contra a população branca em conflitos que causaram cerca de 250 mil mortes. A guerra terminou em 1901 com a ocupação militar da capital maia, onde fica o santuário também chamado de "Chan Santa Cruz".

"Aqui estiveram os soldados mais sanguinários do Exército mexicano, como Victoriano Huerta", que protagonizou no meio da Revolução Mexicana um golpe contra Francisco Madero, "nosso apóstolo da democracia", disse o chefe de Estado. Madero foi o primeiro presidente eleito no México após a ditadura de Porfirio Díaz (1884-1911), derrubado e fuzilado em 1913.

O evento contou com a presença de autoridades tradicionais dos povos maias e de governadores de cinco dos territórios do sudeste mexicano: Tabasco, Chiapas, Campeche, Iucatã e Quintana Roo.

As comunidades de quase dois milhões de habitantes que preservam a língua maia – em alguns casos, sem falar espanhol – são herdeiras dos construtores das pirâmides pré-hispânicas de Chichén Itzá, Tulum, Cobá e Calakmul, no México, e de Tikal, na Guatemala, erguidas no século VIII.

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