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Governo dos EUA vira acionista de empresa para terras raras domésticas

Pacote de até US$ 1,6 bilhão prevê recursos diretos, empréstimo garantido e ações da empresa para estruturar cadeia doméstica de terras raras até 2030

Governo dos EUA vira acionista de empresa para terras raras domésticas (Foto: Freepik)

247 - O governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de até US$ 1,6 bilhão para fortalecer a cadeia doméstica de terras raras e minerais críticos, em uma operação que marca a entrada direta do poder público no capital da USA Rare Earth, empresa listada na Nasdaq. O acordo prevê não apenas financiamento, mas também a aquisição de participação acionária, o que coloca o Estado como sócio do empreendimento estratégico.

As informações foram divulgadas pela CNN. O apoio foi formalizado por meio de uma carta de intenções assinada nesta segunda-feira (26) entre a USA Rare Earth e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, no âmbito do CHIPS Act, programa federal criado inicialmente para fortalecer a indústria de semicondutores no país.

Pelo acordo, que ainda não é vinculante, o governo americano prevê o aporte de US$ 277 milhões em recursos federais diretos e a concessão de um empréstimo sênior garantido de US$ 1,3 bilhão. Em contrapartida, o Departamento de Comércio receberá ações ordinárias e warrants da companhia, passando a deter participação acionária na empresa.

Segundo os termos divulgados, a USA Rare Earth prevê a emissão de 16,1 milhões de ações e aproximadamente 17,6 milhões de warrants ao governo dos Estados Unidos, consolidando o envolvimento direto do setor público no desenvolvimento da cadeia produtiva de terras raras no país.

A operação ainda depende do cumprimento de etapas finais, como diligências adicionais, a assinatura dos contratos definitivos e a aprovação dos órgãos reguladores. A expectativa é que o processo seja concluído ao longo do primeiro trimestre de 2026.

A iniciativa tem como objetivo acelerar a construção de uma cadeia doméstica completa de terras raras até 2030, abrangendo todas as etapas produtivas, da mineração à fabricação de ímãs permanentes. Esses insumos são considerados estratégicos para setores como semicondutores, defesa, veículos elétricos e geração de energia.

De acordo com a USA Rare Earth, o projeto permitirá reduzir a dependência dos Estados Unidos da China, atualmente dominante no mercado global desses materiais. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que cerca de 91% do refino mundial de terras raras é realizado por empresas chinesas, responsáveis também por aproximadamente 94% da produção global de ímãs permanentes usados em turbinas, motores e equipamentos de defesa.

O plano prevê o início da produção comercial do projeto Round Top, no Texas, em 2028. A expectativa é alcançar capacidade de extração de até 40 mil toneladas por dia de minério contendo terras raras pesadas e outros minerais críticos.

Entre os elementos previstos estão disprósio, térbio, ítrio, háfnio e gálio, considerados essenciais para as indústrias de chips, defesa e aeroespacial e que, atualmente, praticamente não possuem produção doméstica nos Estados Unidos.

Além do apoio estatal, a USA Rare Earth anunciou uma captação privada de US$ 1,5 bilhão, liderada pela gestora Inflection Point, com participação de grandes investidores institucionais. Com isso, o volume total de recursos mobilizados pelo projeto pode chegar a US$ 3,1 bilhões, combinando capital público e privado em uma estratégia inédita de participação acionária do governo no setor.