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Governo Trump rejeita mulheres indicadas e nomeia homens para conselho

Decisão do USDA exclui quatro mulheres escolhidas por produtores e levanta críticas sobre política de diversidade nos Estados Unidos

Donald Trump, 18 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Nathan Howard)

247 - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou ao menos cinco agricultores indicados para integrar o United Soybean Board, incluindo quatro mulheres previamente selecionadas por produtores de soja. A decisão rompe com o procedimento habitual, no qual os nomes escolhidos pelo setor são apenas ratificados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Segundo informações da agência Reuters, o USDA não apresentou justificativas para a rejeição dos indicados. Três das mulheres afetadas afirmaram não ter recebido explicações oficiais sobre a decisão, o que gerou questionamentos sobre os critérios adotados pela atual gestão.

Uma das agricultoras excluídas, Sara Stelter, de Wisconsin, avaliou o episódio como parte de uma política mais ampla do governo. “Parece uma coisa pequena”, disse Stelter, “mas, em outros aspectos, é realmente um grande problema, porque é apenas mais um fator de como a administração atual vê as mulheres, acredito, e qual deve ser seu papel”.

A Reuters informou que não conseguiu determinar os motivos que levaram à rejeição dos cinco candidatos ao conselho da soja, mesmo após questionamentos diretos às autoridades envolvidas.

Falta de explicações e silêncio oficial

O USDA e o próprio United Soybean Board limitaram-se a afirmar que o secretário de Agricultura tem autoridade para selecionar os membros a partir de listas enviadas por conselhos estaduais. No entanto, não detalharam por que nomes previamente indicados foram descartados.

A Casa Branca também não forneceu esclarecimentos. Um pedido de acesso a informações públicas sobre possíveis comunicações internas foi negado sob a justificativa de acúmulo de solicitações, enquanto um porta-voz evitou comentar o caso e redirecionou as perguntas ao USDA.

O episódio ocorre em meio a mudanças mais amplas promovidas pelo governo Trump em políticas relacionadas à diversidade e inclusão no âmbito federal.

Mudanças em políticas de igualdade

No ano anterior, a administração revogou iniciativas voltadas à igualdade salarial implementadas durante o governo Biden, além de encerrar programas destinados a reduzir desigualdades históricas enfrentadas por mulheres e minorias.

A Casa Branca defende que essas ações estavam em desacordo com leis antidiscriminação, argumentando que tais políticas prejudicavam o avanço baseado no mérito individual.

Especialistas, no entanto, avaliam que as mudanças vão além da revisão de programas específicos e podem afetar diferentes áreas da administração pública.

Impacto mais amplo nas instituições

Shaun Harper, professor da Universidade do Sul da Califórnia e pesquisador em equidade nos negócios e políticas públicas, afirmou que o caso do conselho da soja reflete uma abordagem mais abrangente do governo em relação à diversidade.

Segundo ele, a intervenção sugere que a política atual não se limita à revisão de iniciativas formais de diversidade, equidade e inclusão (DEI), mas também influencia a composição de conselhos setoriais que atuam em diferentes segmentos da economia.

A ausência de transparência no processo de substituição dos indicados e a exclusão de mulheres previamente escolhidas continuam gerando repercussão entre produtores e analistas, ampliando o debate sobre os critérios adotados na formação de órgãos consultivos ligados ao governo federal.