Gregos vão às urnas neste domingo e pesquisas apontam fragmentação do Parlamento

Sondagens indicam que os dois maiores partidos do pas perderam foras e no conseguiro obter a maioria absoluta no pleito

Gregos vão às urnas neste domingo e pesquisas apontam fragmentação do Parlamento
Gregos vão às urnas neste domingo e pesquisas apontam fragmentação do Parlamento (Foto: REUTERS/Yorgos Karahalis)

Opera Mundi - As eleições parlamentares da Grécia acontecem neste domingo (06/05) em meio a uma grave revolta da população por conta da crise econômica que o país atravessa. As últimas pesquisas divulgadas apontam que um em cada quatro gregos irá anular seu voto. Além disso, as sondagens indicam um Parlamento fragmentado, em um cenário em que os dois maiores partidos do país, o conservador ND (Nova Democracia) e o socialista Pasok (Movimento Socialista Pan-helênico) perderam forças e não conseguirão obter a maioria absoluta no pleito.

A expectativa é que os dois partidos obtenham a pior votação de sua história, o que causaria a necessidade de uma união entre as legendas para que um governo de coalização fosse formado.

Entre os dois partidos, o cargo de primeiro-ministro é disputado por Antonis Samaras, do ND, e por Evangelos Venizelos, do Pasok. Nas semanas que antecederam a votação, Samaras afirmou que não faria um acordo com o partido socialista, caso nenhuma das legendas alcançasse a maioria absoluta. O conservador disse ainda que, nesse caso, convocaria novas eleições no país.

Venizelos, por sua vez, não fala abertamente em fazer um acordo com o partido conservador. Apesar disso, o socialista já admitiu que depois de domingo, será necessário conseguir outra coalizão. No entanto, Venizelos pediu votos para que o Pasok consiga a maioria absoluta nas eleições e, dessa forma, possa formar um governo de acordo com suas prioridades.

O socialista foi nomeado vice-primeiro-ministro do governo de unidade presidido pelo ex-banqueiro Lucas Papademos em novembro do ano passado, quando Giorgos Papandreou foi afastado do cargo de primeiro-ministro por meio de um plebiscito.

Por conta de crise econômica que o país enfrenta, a Grécia teve de recorrer a empréstimos junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e UE (União Europeia). Para se adaptar às exigências da Troika, formada por estas organizações, o governo grego teve de adotar medidas de austeridade que provocaram a revolta da população.

Entre as medidas, os gregos tiveram de enfrentar os cortes nas pensões, o aumento nos custos de transporte, saúde e educação e a demissão de milhares de funcionários públicos, entre outras coisas. Apesar dos protestos da população do país, as ações foram aprovadas por exigência da Troika.

Exigiu-se ainda que o custo do trabalho fosse reduzido em mais de 15% até 2014 e que o setor público sofresse cortes de 11,5 bilhões de euros. O desemprego no país chegou a um nível recordo e atingiu 21,8% da população em janeiro.

A situação fez com que a Grécia chegasse a um cenário onde um em cada três gregos vive abaixo do limite da pobreza. Além disso, o número de pessoas que não tem sequer onde morar já passa os 20 mil, algo impensável para o país há poucos anos atrás.

A revolta da população com o governo do país se traduz nas pesquisas de intenção de voto, que apontam que nenhum partido deverá obter mais de 25% nas eleições deste domingo.

“A pobreza está muito espalhada, por isso não se pode fazer uma classificação das intenções de voto com critérios de renda. Todo mundo está furioso e por isso surgem intenções de voto a favor de partidos extremistas e a fragmentação do panorama político”, afirmou Cristoforos Vernardakis, professor da Universidade de Salônica e conselheiro do instituto de opinião VPRC, em entrevista à Agência Efe.

As últimas pesquisas apontam para uma vitória magra do conservador ND e indicam que entre sete e dez partidos deverão superar a barreira de 3% dos votos, o que garante ao menos uma vaga no Parlamento.

 

 

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