No G20, Bolsonaro diz que tensões raciais no Brasil são importadas e 'alheias à nossa história'

Jair Bolsonaro afirmou neste sábado, em discurso por videoconferência na Cúpula do G20, que há tentativas de importar para o Brasil tensões alheias à história do país, minimizando mais uma vez a questão racial, tema central nesta semana

Jair Bolsonaro participa de videoconferência dos líderes do G20
Jair Bolsonaro participa de videoconferência dos líderes do G20 (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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Reuters - O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado, em discurso por videoconferência na Cúpula do G20, que há tentativas de importar para o Brasil tensões alheias à história do país, minimizando mais uma vez a questão racial ao afirmar que enxerga todos com as mesmas cores.

Em linha com mensagem postada na noite da véspera no Twitter, Bolsonaro reafirmou que, no Brasil, brancos, negros e índios edificaram “o corpo e o espírito de um povo rico e maravilhoso”. Ele disse ainda que os que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam contra a nação e contra a história.

A manifestação vem após o assassinato por espancamento de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, em uma loja do Carrefour Brasil, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira. O violento episódio provocou protestos e ataques a lojas do Carrefour em vários locais do país, gerando pedidos de boicote contra a rede varejista, além de manifestações contra o racismo.

“Quero fazer uma rápida defesa do caráter nacional brasileiro em face das tentativas de importar para o nosso território tensões alheias à nossa história”, afirmou o presidente.

Segundo Bolsonaro, foi a essência do povo miscigenado no Brasil que conquistou a simpatia do mundo, mas há quem queira destruí-la, em nome do poder, para promover a divisão entre raças mascarada de justiça social.

“Existem diversos interesses para que se criem tensões entre nós. Um povo unido é um povo soberano. Dividido é vulnerável. E um povo vulnerável pode ser mais facilmente controlado e subjugado. Nossa liberdade é inegociável”, disse ele.

Freitas foi espancado até a morte por um segurança da loja e por um policial militar temporário que estava fora de serviço e um vídeo do espancamento viralizou nas redes sociais na sexta-feira, dia em que várias cidades do Brasil comemoraram o Dia da Consciência Negra.

COVID-19

Em seu discurso, Bolsonaro também voltou a defender que haja liberdade para a decisão dos cidadãos sobre tomar vacina contra o coronavírus, ao mesmo tempo em disse haver, no país, tratamento precoce para o vírus.

“O Brasil se soma aos esforços internacionais para a busca de vacinas eficazes e seguras contra a Covid-19, bem como adota o tratamento precoce no combate à doença”, disse.

“No entanto, é preciso ressaltar que também defendemos a liberdade de cada indivíduo para decidir se deve ou não tomar a vacina. A pandemia não pode servir de justificativa para ataques às liberdades individuais”, acrescentou.

Apesar do aumento recente de casos e mortes por Covid-19 em algumas regiões do país, Bolsonaro sinalizou que a pandemia está sendo superada no Brasil e que as perspectivas para a retomada econômica se tornam mais positivas e concretas.

Nesse sentido, o presidente reforçou que o governo buscará dar continuidade ao seu programa de reformas estruturais.

OMC

Bolsonaro também fez um apelo pela reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e volta à plena operação do Órgão de Apelação do organismo.

“Queremos que a ambição de reduzir os subsídios para bens agrícolas conte com a mesma vontade com que alguns países buscam promover o comércio de bens industriais”, disse ele, pedindo a criação de condições justas e equilibradas para o comércio internacional, não só de bens, mas também de serviços.

“Proponho que nossos ministros debatam e compartilhem melhores práticas sobre como lidar com esse tema, evitando-se cair na armadilha de subsídios e políticas que distorçam o comércio internacional”, completou.

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