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Hackers ligados ao Irã invadem e-mails do diretor do FBI

Grupo Handala divulga fotos e mensagens pessoais de Kash Patel; FBI afirma que dados são antigos e não envolvem informações governamentais sensíveis

Kash Patel, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para o cargo de diretor do FBI, depõe perante o Comitê Judiciário do Senado em uma audiência de confirmação no Capitólio, em Washington, EUA, em 30 de janeiro de 2025. (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - Hackers ligados ao Irã afirmaram ter invadido a conta pessoal de e-mail do diretor do FBI, Kash Patel, e divulgaram fotos e documentos na internet. O caso veio à tona nesta sexta-feira (27) e foi confirmado pela própria agência. As informações foram publicadas inicialmente pela Reuters.

Em seu site, o grupo responsável pela ação, o Handala Hack Team, declarou que Patel “agora encontrará seu nome na lista de vítimas hackeadas com sucesso”. Os invasores divulgaram imagens pessoais do diretor, incluindo registros em que ele aparece fumando charutos, dirigindo um carro conversível e tirando selfies.

O FBI confirmou que a conta de e-mail foi alvo de investigação. Em nota, o porta-voz Ben Williamson afirmou: "Tomamos todas as medidas necessárias para mitigar os riscos potenciais associados a essa atividade". Ele acrescentou que os dados envolvidos eram "de natureza histórica e não continham informações governamentais".

Segundo a Reuters, o grupo Handala se apresenta como uma organização de hackers vigilantes pró-Palestina, mas é considerado por especialistas ocidentais como uma fachada associada a operações de ciberinteligência do governo iraniano. O coletivo também reivindicou recentemente um ataque à empresa americana Stryker, afirmando ter apagado uma grande quantidade de dados em março.

Além das fotos, os hackers divulgaram uma amostra de mais de 300 e-mails, que aparentemente misturam mensagens pessoais e profissionais enviadas entre 2010 e 2019. A Reuters informou que não conseguiu verificar de forma independente a autenticidade do material, embora o endereço de e-mail citado pelos invasores corresponda a registros anteriores identificados pela empresa de inteligência da dark web District 4 Labs. A Google, responsável pelo Gmail, não comentou o caso.

A ofensiva ocorre em meio à escalada de tensões envolvendo o Irã, que, segundo analistas, tem intensificado ações cibernéticas após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o país. O grupo Handala também afirmou ter divulgado dados de funcionários da Lockheed Martin que atuam no Oriente Médio. Em resposta, a empresa declarou estar ciente das alegações e destacou possuir protocolos para lidar com ameaças digitais.

Para Gil Messing, da empresa israelense Check Point, a ação faz parte de uma estratégia mais ampla. Segundo ele, o objetivo é constranger autoridades americanas e “fazê-las se sentirem vulneráveis”. Ainda de acordo com o especialista, os iranianos estão “disparando tudo o que têm” no campo cibernético.

Casos semelhantes não são inéditos. Em 2016, hackers invadiram a conta de John Podesta, chefe de campanha de Hillary Clinton, e divulgaram mensagens no WikiLeaks. Já em 2015, a conta pessoal de John Brennan, então diretor da CIA, também foi comprometida.

Avaliações de inteligência dos Estados Unidos, citadas pela Reuters, indicam que o Irã pode recorrer a ataques cibernéticos de baixo nível como forma de retaliação em cenários de conflito. Há ainda indícios de que outros dados possam estar em posse de grupos ligados ao país. Em 2025, um coletivo sob o pseudônimo “Robert” afirmou considerar a divulgação de grandes volumes de informações supostamente obtidas de assessores próximos ao ex-presidente Donald Trump, embora a alegação não tenha sido verificada.