Herói de "Hotel Ruanda" voltou ao país enganado e será julgado por terrorismo, diz NYT

O dissidente político e ex-gerente de hotel de 66 anos alcançou a fama depois que “Hotel Ruanda”, filme indicado ao Oscar, o retratou usando suas conexões com a elite hutu para proteger tutsis que fugiam do massacre de 1994

Paul Rusesabagina, detido, é fotografado no Birô de Investigações de Ruanda 31/08/2020
Paul Rusesabagina, detido, é fotografado no Birô de Investigações de Ruanda 31/08/2020 (Foto: REUTERS/Clement Uwiringiyimana)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

KIGALI (Reuters) - Paul Rusesabagina, retratado em um filme de Hollywood como um herói que ajudou a salvar tutsis durante o genocídio de Ruanda, disse que acreditava estar voando para o Burundi a convite de um pastor, mas que na verdade foi induzido a ir para Ruanda e preso devido a acusações de terrorismo.

Rusesabagina falou ao New York Times durante uma entrevista que o jornal disse ter sido autorizada pelo governo ruandês e que ocorreu na presença de autoridades governamentais.

O dissidente político e ex-gerente de hotel de 66 anos alcançou a fama depois que “Hotel Ruanda”, filme indicado ao Oscar, o retratou usando suas conexões com a elite hutu para proteger tutsis que fugiam do massacre de 1994.

Ele estava vivendo no exílio há mais de uma década e é um crítico proeminente do presidente Paul Kagame, que acusa de sufocar a oposição política.

Rusesabagina apareceu subitamente sob custódia em Ruanda no início deste mês, o que levou sua família a afirmar que ele foi sequestrado, mas ele diz que embarcou voluntariamente em um avião particular em Dubai acreditando estar seguindo para Bujumbura, no Burundi, onde planejava falar em igrejas a convite de um pastor local.

Ao invés disso, ele pousou em Kigali, onde agora é alvo de 13 acusações, entre elas terrorismo, cumplicidade em assassinato e formação de ou envolvimento com um grupo armado irregular.

Na quarta-feira, um porta-voz da procuradoria disse à Reuters que Rusesabagina, que chegou a pedir uma resistência armada ao governo em um vídeo publicado no YouTube, corre risco de ser condenado à prisão perpétua.

Na quinta-feira ele teve um pedido de fiança negado, e passará 30 dias na prisão enquanto a procuradoria finaliza suas investigações.

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

Cortes 247

Apoie o 247

WhatsApp Facebook Twitter Email