Hillary Clinton propõe reformulação do Pentágono para que os Estados Unidos mantenham sua hegemonia

Num denso artigo publicado na revista Foreign Affairs, a ex-secretária de estado .propõe uma nova estratégia militar para os Estados Unidos, o que pode que ser interpretado como uma autoconvite para que ela tenha posição de destaque em uma eventual administração de Joe Biden

(Foto: Saul Loeb/REUTERS)
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Leonardo Sobreira, 247 - A ex-Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, publicou na mais recente edição da revista Foreign Affairs, de análise de assuntos internacionais, um artigo onde ela delineia um plano para uma possível reestruturação militar. Para ela, os problemas que afetam a supremacia militar estadunidense são reais, e devem ser combatidos através de medidas que considerem o conceito de segurança como algo que vai muito além do mero preparo contra guerras.

Para Clinton, o paradigma para a segurança é inteiramente outro comparado ao de 50 anos atrás, quando o mundo estava mergulhado na Guerra Fria. Ao invés da ameaça imperialista através de intervenções diretas ou indiretas, hoje em dia diversas ameaças, como a fragilidade dos sistemas de segurança virtual, potenciais pandemias e a globalização dos sistemas produtivos, trabalham para consolidar a influência de um ou outro bloco político em determinada região. 

Levando isso em consideração, Clinton defende que “o Pentágono deve se adaptar a um cenário estratégico muito mais diferente do que o que enfrentou durante a Guerra Fria ou a guerra contra o terrorismo. Novas tecnologias como a inteligência artificial estão tornando os sistemas velhos obsoletos e criando oportunidades que nenhum país dominou mas muitos estão atrás.”

Ela acrescenta: “Daí temos os desafios complicados na Ásia Oriental. Enquanto o exército dos EUA estava lutando em guerras custosas no Oriente Médio, a China estava investindo em armamentos anti-acesso e de negação de área relativamente baratos como mísseis antibalísticos, que ameaçam os porta-navios americanos.”

Para ela, o pensamento estratégico-militar deve refletir o espírito que vem sendo discutido há muitos anos na academia. Diversos autores sobre o tema enxergam que, ao considerar “segurança” como algo que envolve todos os elementos na sociedade, desde a economia interna às ameaças internacionais, se torna possível solucionar o problema dos orçamentos enormes destinados ao fortalecimento das forças armadas. Isto é, ao considerar a segurança em um sentido expansivo, se torna justificável destinar mais recursos à pasta de forma que estes não sejam desperdiçados em empreitadas que não trazem um benefício claro.

“Enquanto os EUA deixa para trás um período dominado por conflitos em terra e encara a possibilidade de conflitos em ar, mar, e espaço, o exército deve aceitar os riscos que vêm com uma força ativa em terra menor”, diz a ex-Secretária de Estado. Ela continua: “Uma força com menos soldados e mais tanques combinaria com o momento estratégico e custaria muito menos. Manter menos brigadas ativas, por exemplo, poderia economizar dezenas de bilhões de dólares ao longo da próxima década. Ao invés de tanques pesados, o exército deveria estar investindo em ferramentas que darão às tropas uma vantagem em futuros conflitos, incluindo melhorias nos sistemas de comunicação e sistemas de inteligência.”

Essencialmente, Clinton vê como peça essencial para o fortalecimento dos Estados Unidos o fortalecimento de sua indústria interna em uma direção estratégica, que traga benefícios no longo prazo ao país. Em um sentido prático, isso deve significar uma política econômica mais protecionista e voltada para a Pesquisa & Desenvolvimento.

Como um todo, além de constituir um plano de ação para o exército estadunidense, o texto de Clinton pode também ser visto como uma espécie de candidatura ao cargo de Secretária de Estado, caso Biden seja eleito. Em agosto, Clinton se mostrou disponível a “ajudar no que for possível” em um futuro gabinete. Previamente, ela serviu como Secretária de Estado de 2009 a 2013, durante o primeiro mandato de Barack Obama. Durante sua administração, o Departamento de Estado se envolveu em diversas controvérsias, como a deposição de Muammar al-Gaddafi, na Líbia, o golpe em Honduras e a concessão de armamentos a grupos de oposição na Síria que possuíam conexões com grupos terroristas.

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