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Mundo

Hitler e Bin Laden: um mar de coincidências

Antes de serem demonizados, o ditador alemo e o terrorista saudita gozaram de simpatia nos EUA. De quebra, morreram quase no mesmo dia

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Dario Palhares_247 - Daqui a exatos 12 meses, discípulos e simpatizantes das duas figuras mais demonizadas pelo Ocidente nos últimos 100 anos irão lembrar e reverenciar os aniversários de morte de seus mestres com poucas horas de diferença. De quem estamos falando? Do austríaco Adolf Hitler, que se suicidou em Berlim, a 30 de abril de 1945, e, claro, o defunto fresco mais famoso do planeta, o terrorista saudita Osama Bin Laden, executado por tropas de elite dos Estados Unidos em Abottabbad, Paquistão, no último domingo (1).

As coincidências entre essa dupla da pesada, por ironia, não param por ai. Tem gente que não se lembra, ou não sabe, mas nem sempre Hitler e Bin Laden foram, na opinião das potências do Ocidente – dos EUA, em particular –, aspirantes ao trono de Lúcifer. O líder nazista, que ditou os rumos da Alemanha de 1933 a 1945, ganhou em 1938 o título de “Homem do Ano”, concedido pela conservadora revista norte-americana “Time”. Afinal, conseguira sanear a economia germânica, consumida pela hiperinflação no início daquela década, e, last but not least, despachou os “perigosos” socialistas e comunistas para prisões, campos de concentração e o além, depois que seus correligionários incendiaram o Reichstag, a 27 de fevereiro de 1933, e atribuíram o ato terrorista aos oposicionistas.

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Mesmo após o início da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939, várias figuras ilustres da sociedade norte-americana seguiram manifestando apoio a Hitler. É o caso de Joseph Kennedy, pai do futuro presidente John Fitzgerald Kennedy, que aconselhou o então chefe do Executivo dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, a se aliar à Alemanha nazista para investir sobre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), de Josef Stalin – esta, sim, na sua avaliação, a grande inimiga dos ideais do Ocidente. O patriarca dos Kennedy acabou no olho da rua, mas inspirou o direitista Ronald Reagan presidente dos EUA entre 1980 e 1988, que definia a URSS como o “Império do Mal.

Bin Laden também acabou beneficiado pela antiga rixa de Tio Sam com os soviéticos. Depois que o Kremlin invadiu o Afeganistão, em 1979, os norte-americanos liberaram verbas, armas e treinamento para os mujahedins afegãos combaterem o Exército Vermelho. Até Sylvester Stallone, ou melhor, Rambo participou da empreitada – em Rambo III, de 1988 –, que garantiu munição e know how para o líder saudita e seus parceiros ortodoxos. Tempos depois, esses ex-aliados dos EUA criariam o Talibã, tomariam o poder no Afeganistão e se tornariam uma dor de cabeça para Washington.

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Como diria Noel Rosa, a escolha dos líderes afegãos e de Bin Laden para aliados foi, no mínimo, um palpite infeliz da nação de George Washington e Thomas Jefferson. Mas, pelo menos, os norte-americanos tiveram a sabedoria de imitar seu velhos adversários soviéticos na hora de se livrar do “presunto” do ex-parceiro, principal responsável responsável pelos ataques terroristas ao seu território em 11 de setembro de 2001. O soldados de Stalin, depois de identificarem os restos mortais de Hitler, com a ajuda de suas fichas dentárias, sumiram com o defunto, do qual não se tem notícia até hoje. Os EUA afirmam que fizeram o mesmo com o corpo do ex-aliado promovido à condição de seu eterno inimigo nº 1, que teriam sido atirados ao mar, em local ignorado.

É mais do que provável que a casa em Abottabbad onde Bin Laden foi morto se torne ponto de peregrinação de muçulmanos mais ortodoxos e belicosos a cada 1º de maio . Outros tantos farão questão de honrar a memória do velho líder o mais próximo possível de seus restos mortais, organizando procissões marítimas na mesma data. Para estes, talvez sirvam de consolo os versos de uma figura nada polêmica que, em outra coincidência, completou 31 anos no exato dia da morte de Adolf Hitler: o compositor baiano Dorival Caymmi. “É doce morrer no mar/ Nas ondas verdes do mar...”

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