Igor Fuser: Bolsonaro colocou em risco comércio de bilhões com o Irã para agradar Trump

O professor da UFABC falou à TV 247 sobre o caso de navios do Irã que estão, desde junho, parados no porto de Paranaguá sem combustível; “Esse precedente aberto pela diplomacia brasileira pode ter um impacto muito forte sobre o comércio exterior do Brasil”, disse Fuser; assista

247 - O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Igor Fuser conversou com a TV 247 sobre o caso dos dois navios iranianos que estão parados no porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, desde junho, sem combustível. Igor Fuser avaliou que o posicionamento brasileiro de não abastecer os navios do Irã pode causar prejuízos ao comércio exterior do país. Neste domingo, 21, o presidente Jair Bolsonaro disse estar alinhado aos Estados Unidos sobre a questão.

 “Eu acho que nosso país ainda não se deu conta da gravidade desse incidente com esses navios iranianos que continuam lá ao lado do porto de Paranaguá em uma situação que tende a se tornar dramática, eles não podem ir embora sem combustível. Esse precedente aberto pela diplomacia brasileira pode ter um impacto muito forte sobre o comércio exterior do Brasil”, afirmou Fuser.

O professor explicou que a postura do governo brasileiro é ilegal porque viola tratados internacionais que permitem o livre trânsito de embarcações e o direito ao reabastecimento. “Não existe nada que proíba os navios iranianos de receberem seus combustíveis no Brasil”.

Fuser ressaltou também que a decisão do Brasil não tem origem em nenhum pedido oficial dos Estados Unidos. “Ao mesmo tempo, essa atitude não vem como resposta a nenhum pedido, nem mesmo do governo dos Estados Unidos, do ponto de vista oficial. Simplesmente o governo brasileiro, para agradar seus chefes, que estão situados em Washington, toma essa iniciativa de apresar os navios iranianos, em função daquilo que o Bolsonaro disse: ‘estamos alinhados com os Estados Unidos, nem sequer precisamos conversar antes’”.

Sobre o impacto econômico do atrito entre Brasil e Irã, o professor afirmou que o posicionamento brasileiro pode causar grandes prejuízos ao comércio exterior com o Irã, o quinto maior comprador de produtos agrícolas do Brasil. “De um lado existe a especulação de que talvez a Petrobras possa sofrer algum tipo de problema com os Estado Unidos se abastecer esses navios. De outro lado, existe um contrato, práticas comerciais estabelecidas entre Brasil e Irã, que garantem o fluxo normal de comércio entre os dois países. O Irã é o quinto maior comprador de produtos agrícolas do Brasil, é o maior comprador de milho brasileiro, o Brasil tem comércio intenso, há muitos anos, com o Irã. Nos últimos 10 anos o Brasil vendeu ao Irã US$ 19,6 bilhões em mercadorias. É uma decisão do governo brasileiro que coloca em risco interesses comerciais importantíssimos para o Brasil”.

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