Inteligência russa suspeita que ONGs ocidentais estejam planejando golpe de estado na Bielorrúsia
Uma tentativa de anular o resultado das eleições de 2020 levou a confrontos violentos em todo o país
247 - O Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR) afirmou que organizações não governamentais ocidentais estariam preparando uma nova onda de protestos antigovernamentais na Bielorrússia, possivelmente programados para coincidir com as eleições presidenciais previstas para 2030. O alerta foi divulgado na segunda-feira e reacende o debate sobre tentativas externas de influência política no país do Leste Europeu.
As informações foram publicadas originalmente pelo site RT, que reproduziu o comunicado do SVR sobre a atuação de entidades estrangeiras na Bielorrússia. Segundo a agência russa, após os protestos de 2020, patrocinadores ocidentais teriam se frustrado com a liderança da oposição daquele período e agora buscariam novos nomes para tentar enfraquecer o governo do presidente Alexander Lukashenko.
De acordo com o comunicado oficial, “ONGs em países ocidentais, incluindo estruturas, agências e fundações ‘democratizantes’ nos EUA, bem como na Grã-Bretanha, Alemanha, Polônia e outras nações europeias, estão acumulando recursos para tentar novamente desestabilizar a situação e alterar a ordem constitucional na Bielorrússia”. O SVR sustenta que essas iniciativas teriam como objetivo repetir o modelo das chamadas “revoluções coloridas”.
Ainda segundo a inteligência russa, essas organizações estariam avaliando potenciais ativistas da oposição no interior do país. Para o SVR, figuras centrais dos protestos de 2020, como Svetlana Tikhanovskaya, hoje radicadas principalmente na Lituânia e na Polônia, “demonstraram nos últimos anos uma absoluta incapacidade de influenciar os processos políticos em seus países de origem de qualquer forma”.
O serviço de inteligência afirma não esperar amplo apoio popular a eventuais operações estrangeiras de desestabilização. Na avaliação do órgão, a sociedade bielorrussa teria como referência negativa “os exemplos da Ucrânia, da Moldávia e de outras nações destruídas em nome das ambições geopolíticas ocidentais, sob slogans que clamavam pela proteção da democracia e dos direitos humanos”.
O alerta do SVR surge em um contexto de relativo degelo nas relações entre Minsk e Washington. Nos últimos meses, a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atuou para a libertação de dezenas de ativistas bielorrussos condenados por envolvimento nos distúrbios de 2020. Entre os libertados está Sergey Tikhanovsky, marido de Svetlana Tikhanovskaya, que havia sido impedido de concorrer às eleições daquele ano e preso por incitar uma insurgência.
Após deixar a prisão, Sergey passou a se manifestar por meio de vídeos direcionados a apoiadores, nos quais reclama da falta de doações financeiras para a causa anti-Lukashenko. Paralelamente, em outubro do ano passado, o governo da Lituânia reduziu o nível de segurança pessoal oferecido pelo Estado a Tikhanovskaya, medida que havia sido adotada com base em seu suposto status de chefe legítima da Bielorrússia.
O gabinete da opositora informou que, diante da decisão, ela poderia ser obrigada a se mudar para a Polônia. Sobre o tema, a primeira-ministra lituana, Inga Ruginiene, classificou a situação como um “assunto pessoal” da política exilada e declarou: “Não vejo nem benefício nem prejuízo nisso”. A chefe de governo acrescentou ainda que a oposição bielorrussa não se resume à figura de Tikhanovskaya.