Irã acusa Arábia de usar crise para prejudicar negociação sobre Síria
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif disse que não permitirá "que as ações sauditas tenham um impacto negativo na resolução da crise síria", referindo-se às negociações de paz iniciadas em Viena; a Arábia integra uma coalização liderada pelos EUA para atacar o Estado Islâmico (EI), mas vale ressaltar que para o Irã, opositor ao EI e pró-governo sírio de Bashar al-Assad, a subordinação de Assad é um importante fator contra a influência da Arábia no Oriente Médio; relação entre os dois países ficaram mais tensas depois que da execução do clérigo xiita saudita Nimr Baqir al-Nimr, crítico ferrenho da dinastia sunita Al-Saud
247 - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif, acusou, neste domingo (10), a Arábia Saudita de utilizar o conflito diplomático com Teerã para "afetar negativamente" as negociações sobre a guerra na Síria.
"Não permitiremos que as ações sauditas tenham um impacto negativo na resolução da crise síria", diz Zarif em um comunicado, referindo-se às negociações de paz iniciadas em Viena, na Áustria. "O enfoque da Arábia Saudita é criar tensões para influenciar negativamente na crise síria".
A Arábia integra uma coalização liderada pelos Estados Unidos para atacar o Estado Islâmico (EI). Mas vale ressaltar que para o Irã, também opositor ao EI e pró-governo sírio de Bashar al-Assad, a quem fornece apoio militar e financeiro, a subordinação de Assad é um importante fator contra a influência de seu rival no Oriente Médio, a Arábia Saudita.
Segundo a agência de notícias Reuters, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita afirmou neste domingo que se o Irã continuar a dar suporte ao terrorismo terá a oposição de todos os países árabes e que o corte das relações diplomáticas com o país foi o pontapé inicial e considera tomar “mais ações”.
A Arábia Saudita rompeu relações diplomáticas com o Irã após embaixadas do país em Teerã e em Mashhad serem alvos de ataques dos iranianos. No dia 4, o governo saudita também anunciou o corte de todos os voos com destino ao Irã.
Os protestos no Irã aconteceram depois que a Arábia Saudita anunciar no dia 2 que executou o clérigo xiita saudita Nimr Baqir al-Nimr, de 56 anos, crítico ferrenho da dinastia sunita Al-Saud e um dos líderes de um movimento de contestação que eclodiu em 2011 no leste da Arábia, cuja população é majoritariamente xiita, assim como no Irã. Além de Nimr Baqir al-Nimr, outras 46 pessoas foram executadas acusadas de envolvimento com terrorismo.
O Irã afirmou que a Arábia pagará "um preço alto" pela morte do xeque Nimr al-Nimr, e acusa ainda o país de agravar as tensões e os confrontos na região.