Irã acusa EUA de promoverem 'oficialmente terrorismo de Estado' ao ameaçarem sucessor de Soleimani

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Abbas Mousavi, arrasou a ameaça dos EUA de neutralizar o recém-nomeado chefe da Força Quds do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Esmail Ghaani, como "uma manifestação oficial e flagrante de terrorismo de Estado consciente"

Abbas Mousavi
Abbas Mousavi (Foto: Reprodução)
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Agência Sputnik - O MRE do Irã criticou duramente a fala do representante especial dos EUA para o país, que declarou sem ambiguidade que o novo comandante da Força Quds, o general Ghaani, poderia ter o mesmo destino que o seu antecessor, assassinado pelos norte-americanos.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Abbas Mousavi, arrasou a ameaça dos EUA de neutralizar o recém-nomeado chefe da Força Quds do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Esmail Ghaani, como "uma manifestação oficial e flagrante de terrorismo de Estado consciente".

"Agora, depois do regime sionista [de Israel], os EUA são o segundo regime a anunciar oficialmente que empregou os recursos do seu governo e das forças armadas para atos terroristas, e que os continuará a empregar no futuro", explicou Mousavi, acrescentando que o recurso de Washington a atos terroristas é um sinal claro da "fraqueza, desespero e confusão" do sistema norte-americano.

Mousavi apontou os "comentários descarados e atos terroristas" dos líderes norte-americanos, exortando a comunidade internacional a condená-los também "porque a continuação desta tendência iria, mais cedo ou mais tarde, cair sobre todos".

Os comentários vêm em meio às afirmações na quinta-feira (23) do representante especial dos EUA para o Irã, Brian Hook, segundo o qual o general Esmail Ghaani poderia acabar como seu antecessor, o general Qasem Soleimani, morto por um drone norte-americano perto do aeroporto de Bagdá, em 3 de janeiro. O porta-voz falava em entrevista ao jornal Asharq al-Awsat, à margem do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), em Davos, Suíça.

Acontecimentos anteriores

O general Soleimani, considerado o segundo homem mais poderoso depois do líder supremo iraniano Khamenei, foi morto em meio a uma controvérsia sobre o ataque de manifestantes, no Ano Novo, contra a Embaixada dos EUA no Iraque, com multidões apoiadas pelo Irã batendo nas entradas e janelas das instalações.

O assassinato deu início a uma nova escalada de tensões entre o Irã e os EUA, com Teerã lançando um ataque de mísseis contra bases militares usadas pelos EUA, ferindo 11 funcionários. Ambos os lados, porém, indicaram que nenhum confronto militar está em curso.

Em um discurso proferido no dia 9 de janeiro, o general Ghaani, anunciado como sucessor de Soleimani, prometeu continuar o caminho do antigo comandante "com força". Ele sinalizou que o objetivo final era expulsar completamente as tropas norte-americanas do Oriente Médio.

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