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Irã adverte Conselho de Segurança da ONU contra resolução sobre o Estreito de Ormuz

Irã alerta ONU que resolução sobre Estreito de Ormuz agravaria tensões, enquanto acusa EUA e Israel e reforça direito à autodefesa soberano já

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov (Foto: Tasnim)

TEERÃ (Tasnim) - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, alertou contra qualquer resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Estreito de Ormuz, advertindo que tais medidas complicariam ainda mais a situação, em vez de resolver as tensões.

Em uma conversa telefônica na quinta-feira, Araqchi e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, discutiram os últimos acontecimentos regionais e internacionais à luz da contínua agressão dos EUA e de Israel contra o Irã.

Araqchi enfatizou o direito inerente do Irã à legítima defesa para proteger sua soberania, segurança nacional e integridade territorial, condenando veementemente os ataques agressivos à infraestrutura do país, incluindo universidades, pontes e centros científicos.

Referindo-se à insegurança no Estreito de Ormuz, ele afirmou que ela foi imposta como resultado da agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irã. Araqchi observou que, atualmente, embarcações pertencentes a países não envolvidos na agressão têm permissão para transitar pelo estreito em coordenação com as Forças Armadas do Irã.

O ministro das Relações Exteriores iraniano também denunciou os esforços dos Estados Unidos e de alguns outros países no Conselho de Segurança da ONU para pressionar o Irã, alertando que qualquer ação provocativa por parte dos agressores e seus apoiadores, incluindo ações relacionadas ao Estreito de Ormuz, só complicaria a situação. Ele acrescentou que a emissão de uma resolução do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz não resolveria nenhum problema e, ao contrário, se tornaria parte do problema.

Araqchi condenou ainda os ataques dos EUA e de Israel a locais culturais, incluindo uma igreja ortodoxa em Teerã, descrevendo-os como uma clara violação das normas internacionais e apelando a uma resposta firme e explícita de todos os países e organismos internacionais, em particular da UNESCO.

Lavrov, por sua vez, reafirmou a posição da Rússia condenando a contínua agressão militar contra o Irã e informou seu homólogo iraniano sobre os contatos e consultas em andamento de Moscou com países da região, visando reduzir as tensões.

Ele enfatizou a necessidade de todas as partes retornarem à diplomacia e a uma resolução política da crise, observando que a Rússia apresentou iniciativas e propostas para ajudar a reduzir as tensões e a gerir a situação na região.

Os dois ministros das Relações Exteriores também concordaram em continuar as consultas e a coordenação sobre questões bilaterais, regionais e internacionais.

Os Estados Unidos e o regime israelense lançaram uma campanha militar não provocada em larga escala contra o Irã após o assassinato do Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyed Ali Khamenei, juntamente com vários comandantes militares de alto escalão e civis, em 28 de fevereiro.

Os ataques envolveram extensos bombardeios aéreos contra locais militares e civis em todo o Irã, causando um número significativo de vítimas e danos generalizados à infraestrutura.

Em resposta, as Forças Armadas Iranianas realizaram operações retaliatórias, visando posições americanas e israelenses nos territórios ocupados e em bases regionais com ondas de mísseis e drones.