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Irã intensifica ataques a Israel enquanto Trump ameaça infraestrutura iraniana

Ataques atingiram áreas em Israel, incluindo danos a uma estação ferroviária em Tel Aviv, conforme relatado pela rádio militar israelense

Irã ataca Tel Aviv (Foto: Reuters)

247 - O Irã voltou a lançar mísseis contra Israel nesta sexta-feira, ampliando a escalada do conflito no Oriente Médio e ignorando novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo informações da agência AFP, os ataques atingiram áreas em Israel, incluindo danos a uma estação ferroviária em Tel Aviv, conforme relatado pela rádio militar israelense.

De acordo com a imprensa iraniana, a Guarda Revolucionária afirmou ter disparado mísseis de “longo alcance” contra Tel Aviv e também contra Eilat, no sul israelense. O Exército de Israel, por sua vez, não detalhou oficialmente os locais atingidos pelos projéteis.

A guerra, que já ultrapassa um mês, teve início após operações conjuntas de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Desde então, o conflito deixou milhares de mortos, sobretudo no território iraniano e no Líbano, sem qualquer sinal concreto de cessar-fogo.

Enquanto os combates se intensificam, Donald Trump alterna entre ameaças diretas e apelos diplomáticos para que Teerã aceite negociar uma trégua. O presidente norte-americano afirmou que o conflito pode se prolongar por mais “duas ou três” semanas e indicou a possibilidade de ampliar os alvos.

“As pontes são as próximas, e depois as usinas elétricas!”, escreveu Trump em sua rede Truth Social, sinalizando a possibilidade de ataques a infraestruturas estratégicas do Irã.

Na véspera, bombardeios conduzidos por forças americanas e israelenses já haviam destruído, entre outros alvos, uma ponte em construção nas proximidades de Teerã. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou a estratégia.

“Atacar infraestruturas civis, incluindo pontes inacabadas, não fará os iranianos se renderem”, afirmou o chanceler em publicação na rede X.

O conflito também se intensifica no Líbano, onde o Hezbollah voltou a lançar projéteis contra o sul de Israel durante a noite. O país foi arrastado para a guerra após o grupo abrir um novo front em resposta à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, em ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos.

Segundo o Exército israelense, mais de 3.500 alvos foram atingidos no território libanês em cerca de um mês, com a morte de aproximadamente 1.000 combatentes do Hezbollah. A ofensiva provocou uma grave crise humanitária: mais de um milhão de pessoas já foram deslocadas, fugindo dos bombardeios e das incursões terrestres no sul do país.

A diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Amy Pope, alertou para os riscos crescentes de deslocamentos prolongados e destruição generalizada.

“Há áreas no sul” do Líbano “que estão sendo completamente arrasadas” e “mesmo que a guerra termine amanhã, essa destruição permanecerá e será preciso reconstruir”, disse à AFP.

Além de Israel e Líbano, o conflito começa a atingir outras regiões do Golfo. O Irã acusa monarquias locais de apoiarem os Estados Unidos e tem ampliado ataques. No Kuwait, um ataque com drones provocou incêndios em uma refinaria, sem vítimas, enquanto sirenes de alerta foram acionadas no Bahrein.

A crise também afeta diretamente a economia global. O estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás mundial, está praticamente fechado. Cerca de 40 países pediram a “reabertura imediata e incondicional” da rota, acusando o Irã de tentar “tomar como refém a economia mundial”.

No Conselho de Segurança da ONU, o Bahrein apresentou um projeto de resolução para autorizar o uso da força com o objetivo de reabrir o estreito, mas a votação foi adiada por falta de consenso entre os membros.

Teerã reagiu, alertando contra qualquer “ação provocadora” e afirmando que a iniciativa pode agravar ainda mais a crise internacional.

O endurecimento do discurso de Trump, que chegou a afirmar que pretende levar o Irã “de volta à Idade da Pedra”, também repercutiu nos mercados. O barril do petróleo Brent, referência internacional, ultrapassou os US$ 109 na quinta-feira, impulsionado pelas incertezas e pela escalada do conflito.