Israel diz que desarmar o Hezbollah é irrealista e não é objetivo da operação no Líbano
Exército israelense planeja zona de segurança no sul do país vizinho e admite limites na ofensiva contra o grupo
247 - O exército de Israel avalia que desarmar completamente o Hezbollah não é uma meta viável no atual estágio da operação militar no sul do Líbano. A informação foi divulgada por um alto oficial das Forças de Defesa de Israel, segundo o The Times of Israel.
“Desarmar a organização não é um objetivo obrigatório ao final desta campanha”, afirmou o militar, indicando uma revisão de expectativas em relação ao alcance da ofensiva. De acordo com ele, eliminar totalmente a capacidade militar do grupo exigiria a ocupação completa do território libanês — cenário que não está nos planos das forças israelenses.
Diante disso, as IDF reconhecem que não devem conseguir interromper totalmente os disparos de foguetes do Hezbollah. Isso ocorre porque a maior parte dos lançamentos é realizada a partir de áreas ao norte do rio Litani, fora do alcance direto das operações terrestres atuais.
Ainda assim, o comando militar aponta mudanças no padrão dos ataques. Os foguetes de curto alcance, que compõem grande parte do arsenal do grupo, têm sido direcionados principalmente contra tropas israelenses posicionadas no sul do Líbano, reduzindo o impacto sobre áreas civis em Israel.
Apesar da avaliação, o exército israelense reiterou em comunicado que o desarmamento do Hezbollah continua sendo um objetivo estratégico de longo prazo. “Esclarecemos que, como o chefe do Estado-Maior já afirmou anteriormente, as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão comprometidas com o objetivo de longo prazo de desarmar o Hezbollah. Esse objetivo inclui uma ampla gama de esforços que continuarão ao longo do tempo”, informou. “A campanha atual está causando golpes no Hezbollah e enfraquecendo-o, e contribuirá para a concretização desse objetivo ao longo do tempo”, acrescentou.
Paralelamente, Israel prepara um plano para consolidar sua presença na fronteira com o Líbano. A proposta prevê a criação de uma “zona de segurança” no sul do país vizinho, incluindo a destruição de vilarejos próximos à fronteira e a instalação de posições militares avançadas a alguns quilômetros dentro do território libanês.
Segundo os militares, a iniciativa envolve a remoção de infraestrutura do Hezbollah em uma faixa de até cerca de quatro quilômetros da fronteira, além da ocupação de pontos estratégicos. Muitas dessas áreas já foram esvaziadas durante operações anteriores, embora tropas ainda encontrem armas e estruturas do grupo.
As IDF afirmam que parte desse material antecede o atual conflito, enquanto outra parte foi instalada durante o cessar-fogo entre 2024 e 2026. Autoridades militares também indicam que o Hezbollah estaria preocupado com a continuidade da ofensiva, mesmo após um eventual fim da guerra envolvendo o Irã, que permanece como foco principal de Israel.
No campo de batalha, ataques aéreos continuam sendo realizados contra alvos do grupo. Em uma operação recente, 15 combatentes do Hezbollah foram mortos após serem identificados por tropas em solo. Em outro episódio, integrantes que se preparavam para lançar mísseis antitanque também foram atingidos.
Atualmente, cinco divisões das IDF operam no sul do Líbano, distribuídas entre diferentes setores. Durante as incursões, os militares relatam a apreensão frequente de armamentos e equipamentos pertencentes ao Hezbollah.
Segundo o exército israelense, o grupo tem lançado centenas de foguetes por dia. A maioria desses ataques, no entanto, tem como alvo forças israelenses em território libanês, enquanto apenas uma parte menor atinge áreas dentro de Israel.
O conflito já deixou dez soldados israelenses mortos em confrontos no sul do Líbano. Além disso, dois civis morreram em decorrência de foguetes disparados pelo Hezbollah, enquanto um civil israelense foi morto por engano por fogo de artilharia israelense no norte do país.
As IDF estimam ter eliminado cerca de 1.000 integrantes do Hezbollah desde a intensificação das hostilidades, incluindo membros da Força Radwan, considerada unidade de elite do grupo. Também foram atingidos mais de 3.500 alvos no Líbano, entre centros de comando, depósitos de armas e lançadores de foguetes e mísseis.