Je ne suis pas Charlie

Num artigo que rema contra corrente, o colunista Lelê Teles explica por que, mesmo condenando a ação dos terroristas, ele "não é Charlie";  "Ir contra o profeta Maomé era pedir briga, não com os muçulmanos, mas com os fanáticos. Dizer que o crime em França atentava contra a liberdade de expressão é de um lugar comum risível. O fundamento dos fundamentalistas é cercear a liberdade de expressão. E eles são contra a liberdade de expressão de todos aqueles que não pensam como eles, sobretudo muçulmanos", diz ele; numa das charges, Maomé era colocado de quatro; outra afirmava que o Corão é uma merda; desenhos do Charlie insuflavam a islamofobia na França; leia a íntegra

www.brasil247.com - Num artigo que rema contra corrente, o colunista Lelê Teles explica por que, mesmo condenando a ação dos terroristas, ele "não é Charlie";  "Ir contra o profeta Maomé era pedir briga, não com os muçulmanos, mas com os fanáticos. Dizer que o crime em França atentava contra a liberdade de expressão é de um lugar comum risível. O fundamento dos fundamentalistas é cercear a liberdade de expressão. E eles são contra a liberdade de expressão de todos aqueles que não pensam como eles, sobretudo muçulmanos", diz ele; numa das charges, Maomé era colocado de quatro; outra afirmava que o Corão é uma merda; desenhos do Charlie insuflavam a islamofobia na França; leia a íntegra
Num artigo que rema contra corrente, o colunista Lelê Teles explica por que, mesmo condenando a ação dos terroristas, ele "não é Charlie";  "Ir contra o profeta Maomé era pedir briga, não com os muçulmanos, mas com os fanáticos. Dizer que o crime em França atentava contra a liberdade de expressão é de um lugar comum risível. O fundamento dos fundamentalistas é cercear a liberdade de expressão. E eles são contra a liberdade de expressão de todos aqueles que não pensam como eles, sobretudo muçulmanos", diz ele; numa das charges, Maomé era colocado de quatro; outra afirmava que o Corão é uma merda; desenhos do Charlie insuflavam a islamofobia na França; leia a íntegra (Foto: Leonardo Attuch)


Por Lelê Teles

Charlie Hebdo? Um provocador obcecado contra o islã, um jornal decadente que perdia leitores a cada ano.

O que ele pretendia com isso?

Hebdo sabia quem e o quê queria provocar com sua obstinada insistência.

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Stéphane Charbonier, o Charb, o diretor do Habdo, era judeu. Isso parece não ter importância; claro, a ênfase é para o islã.

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Como bem disse o Therry Meyssan, "o Charlie Hebdo s'était spécialisé dans des provocations anti-musulmanes et la plupart des musulmans de France en ont été directement ou indirectement victimes".

O fundamentalismo islâmico, é sempre bom lembrar, é um produto do imperialismo ocidental. Os Estados Unidos alimentaram sujeitos lunáticos, inescrupulosos e sedentos por poder para combater o grande satã, o comunismo.

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Bin Laden nasceu daí, e disso todo mundo sabe.

Enquanto cresciam as milícias sanguinárias, protegidas por uma falsa camada religiosa, espancando estudantes, fuzilando professores laicos, colocando as mulheres "na linha", o ocidente aplaudia.

É lá, é com eles, é o efeito colateral. Melhor que termos os comunistas sentados sobre as maiores reservas de petróleo e gás do mundo.

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É bom frisar que os fundamentalistas, recuso-me a chamá-los de islâmicos, não fabricam armas e que as nações "santinhas" estão a encher as burras com todo esse terror.

Lembram das terríveis imagens de Gaddaffi, assassinado brutalmente por sicários ensandecidos? Limparam a área pra turma da toca ninja.

Hebdo, desculpem-me a franqueza, mas era um inocente útil. Seu jornal, que tinha os maiores chargistas do mundo, não tinha leitor, porque sua leitura obstinada, fundamentalista, estava cansativa.

Ir contra o profeta Maomé era pedir briga, não com os muçulmanos, mas com os fanáticos.

Dizer que o crime em França atentava contra a liberdade de expressão é de um lugar comum risível.

O fundamento dos fundamentalistas é cercear a liberdade de expressão. E eles são contra a liberdade de expressão de todos aqueles que não pensam como eles, sobretudo muçulmanos.

Descobriram isso agora quando morreram não-muçulmanos?

Vi até o Laerte, o Laerte minha gente fina, falar agora em atentado contra a liberdade de expressão, como se essa liberdade fosse exclusiva de jornalistas. Ô, Laerte, se tu for lá no Afeganistão, tu corre um sério risco de virar churrasco, e não é por causa de tuas charges, hein.

Ao gritarem Allah Akbar! (Alá foi vingado), satisfizeram um desejo oculto de Charlie, que até vaticinara o atentado.

Agora as trapalhadas, obsessivas, do jornal satírico farão com que a Europa se volte contra os muçulmanos, coitados, gente que professa sua fé em paz e em harmonia.

Os franceses já estão nas ruas a falarem em Libertè, a mesma França que impediu as garotas muçulmanas de usar véu nas escolas, a mesma França que insiste em intervenções colonialistas na Françáfrica (Mali, Costa do Marfim e República Centroafricana).

Para os muçulmanos, as charges Charlie Hebdo são apenas ofensas reprováveis e desrespeito, como o foi Je Vous Salue Marie para os cristãos.

Mas Hebdo sabia que provocava a ira dos sicários e parecia gostar disso. Para os islamofóbicos aquilo era um prato cheio, mais cedo ou mais tarde, embora os muçulmanos convivessem com Hebdo, os fanáticos iriam agir, e o mundo faria crer que agiam em defesa de todos os muçulmanos. O que é uma fraude.

Doze franceses mortos? Sério que é isso que comove o mundo agora? Os extremistas matam pessoas a todo momento, matam sobretudo muçulmanos.

Essa histeria comovida me lembra o 11 de setembro. Não vi essa tristeza toda quando eles entraram no Mali abrindo fogo.

Quem foi que puxou o gatilho mesmo?

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