Kotscho: Trump vive numa Disney e lembra O Grande Ditador, de Chaplin
"São assustadores os primeiros momentos de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. Em sua estreia como presidente, no sábado, após o retumbante discurso de posse com ameaças ao mundo, foi ao quartel general da CIA para anunciar que está 'em guerra com a mídia' e prometeu erradicar o terror islâmico da face da terra", diz o jornalista Ricardo Kotscho; "Enquanto isso, cerca 500 mil mulheres, homens e crianças faziam uma marcha de protesto contra ele em Washington, superando os 300 mil que foram à sua posse na véspera"
Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho
São assustadores os primeiros momentos de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos.
Em sua estreia como presidente, no sábado, após o retumbante discurso de posse com ameaças ao mundo, foi ao quartel general da CIA (Agência Central de Inteligência) para anunciar que está "em guerra com a mídia" e prometeu erradicar o terror islâmico da face da terra.
Enquanto isso, cerca 500 mil mulheres, homens e crianças faziam uma marcha de protesto contra ele em Washington, superando os 300 mil que foram à sua posse na véspera.
Manifestações contra Trump foram promovidas em 50 estados americanos e em 32 países. É algo inédito nas primeiras horas de um governo americano.
Só alguém completamente alienado da realidade dos Estados Unidos e do mundo pode ignorar o que está acontecendo à sua volta.
Dá a impressão de que o 45º presidente dos Estados Unidos vive num mundo de fantasia como se estivesse comandando um espetáculo na Disney em que nunca se sabe qual será a próxima atração.
Algo parecido só me lembro de ter visto no cinema quando fui assistir à obra-prima de Charles Chaplin, "O Grande Ditador", filme que estreou em outubro de 1940, quando o nazismo já avançava triunfante pela Europa, mas os Estados Unidos ainda não haviam entrado na Segunda Grande Guerra.
Quem viu deve se lembrar da antológica cena de Carlitos brincando com o globo terrestre como se fosse uma bola.
Não lembra Trump em campanha e agora como presidente da mais poderosa nação do mundo?
Anos mais tarde, Chaplin seria incluído na lista negra do machartismo, chamado de "antiamericano" e "comunista". Teve que se asilar na Suíça, onde morreu, no Natal de 1977, mas Carlitos sobreviveu para que a gente nunca esqueça o horror daquela época.
Vale a pena ver no Youtube o discurso final do barbeiro representado por Carlitos no filme, com legendas em português, em que ele prega o fim do ódio e da discriminação, e fala de um futuro de esperança, algo de que o mundo tanto necessita nestes tempos novamente sombrios, 40 anos após a morte de Charles Chaplin, na estreia de Donald Trump.
