Líder rebelde do leste da Ucrânia toma posse
Alexander Zakharchenko foi eleito em uma votação no domingo considerada uma "farsa" por Kiev e ilegítima pelo Ocidente; cerimônia de posse nesta terça-feira agravou o impasse da ex-república soviética com a Rússia; ONU considerou votação "infeliz e contraproducente"
DONETSK Ucrânia (Reuters) - Um líder separatista pró-Rússia tomou posse nesta terça-feira como chefe de uma autoproclamada "república popular" no leste da Ucrânia, em uma cerimônia que agravou o impasse da ex-república soviética com a Rússia.
Alexander Zakharchenko, que foi eleito em uma votação no domingo considerada uma "farsa" por Kiev e ilegítima pelo Ocidente, jurou "servir honestamente aos interesses do povo da República Popular de Donetsk e cumprir meus deveres".
Antes da cerimônia, realizada em um teatro de Donetsk, uma cidade industrial que tornou-se reduto dos separatistas, outra figura pró-Rússia, Andrei Purgin, afirmou: "Estamos começando uma história com essa posse, e o que acontecer hoje será repetido. Estamos estabelecendo as tradições da República".
O governo ucraniano pró-Ocidente teme que um novo "conflito congelado" seja criado nas regiões do leste e ameacem ainda mais a unidade territorial da Ucrânia, que já perdeu em março o controle da península da Crimeia, anexada pela Rússia.
(Reportagem de Thomas Grove)
Votação no leste da Ucrânia foi "infeliz e contraproducente", diz ONU
VIENA (Reuters) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta terça-feira que a eleição realizada por separatistas no leste da Ucrânia no fim de semana foi "infeliz e contraproducente".
Rebeldes pró-Rússia elegeram seu próprio líder no domingo, em uma votação considerada ilegal por Kiev e pelo Ocidente, o que agravou ainda mais o impasse entre Ucrânia e Rússia sobre o futuro da ex-república soviética.
Ban, em discurso realizado na Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Viena, disse que a situação na Ucrânia permanece sendo motivo de profunda preocupação. A OSCE tem Rússia e Ucrânia entre seus 57 membros.
"As eleições na parte leste do país no domingo passado são um acontecimento infeliz e contraproducente", disse Ban.
Mais de 4.000 pessoas foram mortas no conflito, que começou após a derrubada do presidente ucraniano apoiado por Moscou, Viktor Yanukovich, em fevereiro. A Ucrânia e o Ocidente acusam a Rússia de enviar armas e soldados para ajudar os rebeldes. Moscou nega.
Um cessar-fogo assinado em 5 de setembro encerrou os confrontos de grande escala, mas bombardeios esporádicos continuam. Kiev afirma que os separatistas quebraram o acordo firmado no cessar-fogo ao realizarem eleições sem o envolvimento do governo central ucraniano.
(Reportagem de Fredrik Dahl)