Líderes do G7 expõem divergências e cúpula pode fracassar

A cúpula do G7 já está sendo marcada por brigas entre os líderes dos países integrantes do grupo, mesmo antes do início propriamente dito da reunião.

G7 2019
G7 2019 (Foto: Reuters)

Reuters - A cúpula do G7 neste sábado (24), já está sendo marcada por brigas entre os líderes dos países integrantes do grupo, mesmo antes do início propriamente dito da reunião. São acentuadas as divergências em torno de tensões comerciais, da saída da Grã-Bretanha da União Europeia e sobre como responder aos incêndios na floresta amazônica.  

O presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula, planejou a reunião de três dias na estância balneária de Biarritz, no Atlântico, como uma chance de unir o grupo de países ricos que nos últimos anos não têm conseguido unidade.   

Macron estabeleceu uma agenda para o grupo - França, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos - que incluía a defesa da democracia, igualdade de gênero, educação e meio ambiente. Ele convidou líderes asiáticos, africanos e latino-americanos a se juntarem ao G7 para uma pressão global sobre essas questões.  

No entanto, em uma avaliação sombria das relações entre aliados outrora próximos, o presidente do Conselho Europeu Donald Tusk disse que estava ficando "cada vez mais" difícil encontrar um terreno comum.  "Esta é outra cúpula do G7 que será um teste difícil de unidade e solidariedade do mundo livre e de seus líderes", disse ele a repórteres antes da reunião. "Este pode ser o último momento para restaurar nossa comunidade política."  

O presidente dos EUA, Donald Trump, levou a cúpula do G7 do ano passado a um final sombrio, saindo cedo do encontro no Canadá e rejeitando o comunicado final.  

Trump chegou à França neste sábado. "Até agora tudo bem", disse ele a repórteres enquanto almoçava em um terraço à beira-mar com Macron, dizendo que os dois líderes tinham um relacionamento especial. "Vamos realizar muito neste fim de semana".  

Macron listou questões de política externa que os dois abordariam, incluindo Líbia, Síria e Coréia do Norte, acrescentando que ambos compartilhavam o objetivo de impedir o Irã de obter armas nucleares.  

No entanto, os sorrisos iniciais não conseguiram disfarçar suas abordagens opostas sobre muitos problemas, incluindo a questão complicada do protecionismo e das tarifas.  

Antes de sua chegada, Trump repetiu uma ameaça de taxar os vinhos franceses em retaliação por uma nova taxa francesa de serviços digitais, que ele diz injustamente atingir empresas americanas.  

Duas autoridades americanas disseram que a delegação de Trump também estava irritada por Macron ter desviado o foco da reunião do G7 para "questões de nicho" às custas da economia global que muitos líderes temem que esteja correndo o risco de entrar em recessão.  

Além da dinâmica imprevisível entre os líderes do G7, estão as novas realidades enfrentadas pelo Reino Unido ligadas ao Brexit: influência minguante na Europa e crescente dependência dos Estados Unidos.  

O novo primeiro-ministro Boris Johnson busca um equilíbrio entre não se afastar dos aliados europeus e não irritar Trump. Ambos realizarão uma reunião bilateral no domingo de manhã.  Johnson e Donald Tusk, chefe do Conselho Europeu, discutiram antes da cúpula sobre quem seria o culpado se o Reino Unido deixar a UE em 31 de outubro sem um acordo de retirada.  Tusk disse a repórteres que estava aberto a idéias de Johnson sobre como evitar um Brexit sem acordo quando os dois se encontrarem no domingo.  

"Ainda espero que o primeiro-ministro Johnson não queira entrar na história como Sr. No Deal" (não acordo), disse Tusk, que lidera a direção política da União Européia.

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