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Macron defende diálogo com Rússia para que Turquia não seja a 'única potência a falar com Moscou'

"Quem quer que a Turquia seja a única potência mundial que continua a falar com a Rússia? Não devemos ceder a nenhuma forma de falsa moralidade que nos deixe impotentes"

O presidente russo, Vladimir Putin, teve uma conversa telefônica com o presidente da França, Emmanuel Macron, na qual discutiu o acordo nuclear iraniano; Macron informou Putin sobre os resultados da sua visita aos EUA, com ênfase nas negociações quanto à situação do Plano de Ação Conjunto Global, referente ao programa nuclear iraniano; a assessoria de Putin adiciona que "os presidentes da Rússia e França se expressaram a favor da preservação do plano e da sua implementação rigorosa" (Foto: Leonardo Lucena)

Sputnik - Para líder francês, as potências devem também ser interlocutoras de Moscou para que o diálogo não fique só no poder de Ancara. Ao mesmo tempo, Macron disse que uma "paz negociada" precisa acontecer para o conflito acabar.

Nesta quinta-feira (1º), o presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu a política de manter diálogo com a Rússia após o começo da operação na Ucrânia, dizendo que a Turquia não deve ser a única potência conversando com Moscou, segundo a rede de televisão France 24.

"Quem quer que a Turquia seja a única potência mundial que continua a falar com a Rússia? Não devemos ceder a nenhuma forma de falsa moralidade que nos deixe impotentes. O trabalho de um diplomata é falar com todos, especialmente com as pessoas com as quais não concordamos. E assim continuaremos a fazê-lo, em coordenação com nossos aliados", disse Macron em uma reunião de embaixadores franceses no Palácio do Eliseu.

Ao mesmo tempo, o líder francês argumentou que as potências mundiais já deveriam estar se preparando para uma "paz negociada" para encerrar o conflito que já dura mais de meio ano, enfatizando que cabia a Kiev decidir o momento e os termos.

"Devemos nos preparar para uma longa guerra. Devemos evitar a escalada e preparar a paz. Preparar a paz significa falar com todas as partes, incluindo, como fiz há poucos dias e farei novamente, com a Rússia", complementando que tal paz negociada não estaria nos termos a que "a Ucrânia teria sido submetida se a tivéssemos abandonado ao seu destino".

O presidente também declarou que a assistência militar ocidental à Ucrânia, inclusive da França, permitiu que o país resistisse à operação com muito mais eficácia do que muitos especialistas e Moscou haviam previsto.

"Não estamos participando do conflito, não queremos, mas não podemos deixar a Rússia vencer militarmente esta guerra [operação] ganhando território e, ao mesmo tempo, mostrando a derrota da ordem internacional e de nossos valores com base em uma agressão", complementou.