Macron estatiza estaleiro para impedir controle italiano e chinês sobre indústria naval

Para garantir a soberania francesa do setor de construção naval na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron nacionalizou o estaleiro de Saint Nazaire; Macron, que passou toda a campanha defendendo o enxugamento do Estado francês, tomou essa medida para impedir que a Itália controlasse a indústria naval francesa; parece que os liberais da França são mais pragmáticos e menos dogmáticos que os nossos

Emmanuel Macron, candidato da eleição presidencial francesa, em evento de campanha em Albi, na França. 04/05/2017 REUTERS/Benoit Tessier
Emmanuel Macron, candidato da eleição presidencial francesa, em evento de campanha em Albi, na França. 04/05/2017 REUTERS/Benoit Tessier (Foto: Charles Nisz)

247 - Emmanuel Macron, presidente da França, estatizou o  estaleiro naval de Saint-Nazaire para impedir que o controle da empresa passe para a Itália e para a China. Parece que os liberais da França são mais pragmáticos e menos dogmáticos que os nossos.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (27), o jornal francês Le Monde destaca que "chamado a decidir sobre os destinos da indústria naval francesa, Macron decidiu nacionalizar temporariamente o estaleiro a confiar a empresa a um acionista italiano". Uma jogada inesperada para quem passou a campanha inteira defendendo privatizações, sublinha o diário francês.

Sem a ação do governo, os estaleiros franceses iriam cair no colo do grupo italiano Fincantieri, o número de construção naval na Europa. Um cenário em que o governo Macron não desejava e que não conseguiu contornar na conversa. O estaleiro é um dos mais famosos da Europa - de lá saiu o Queen Mary II - quase fechou as portas por falta de encomendas alguns anos atrás. O governo investiu para evitar a falência da empresa e agora há pedidos para 10 anos de trabalho.

Outra ameaça apareceu com a falência do STX, o conglomerado sul-coreano acionista majoritário do estaleiro Saint-Nazaire. Para recuperar o dinheiro, os credores do STX queriam vender a filial francesa. Quem apresentou oferta foi justamente o Fincantieri, grande rival italiano. A compra pelos italianos levanta três questões: os 7000 empregos em jogo; a terceirização feita pelos italianos na China; Saint Nazaire é o único estaleiro francês capaz de construir navios militares. 

O acordo feito pelo ex-presidente François Hollande com os italianos previa que o Fincantieri teria 48% das ações. Mas uma fundação de Trieste adquiriu mais 7%, dando controle da empresa aos italianos. Macron desafiou o acordo, resolveu usar o direito de preferência da França sobre as ações e comprou a briga com o governo italiano. Para Macron, o preço de 80 milhões de euros do estaleiro vale a soberania francesa no setor.   


 

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