Na eleição britânica, o terror põe em xeque a democracia

Enquanto a primeira-ministra conservadora Theresa May fala em restringir liberdades civis e controlar a internet para tornar mais seguro o povo britânico, após os mais recentes ataques terroristas, seu adversário trabalhista Jeremy Corbyn afirma que a democracia não deve ser sacrificada em nome do combate ao terror; nesta quinta-feira, os ingleses definem seu futuro numa eleição que lançará luzes sobre o futuro da democracia no Ocidente

Enquanto a primeira-ministra conservadora Theresa May fala em restringir liberdades civis e controlar a internet para tornar mais seguro o povo britânico, após os mais recentes ataques terroristas, seu adversário trabalhista Jeremy Corbyn afirma que a democracia não deve ser sacrificada em nome do combate ao terror; nesta quinta-feira, os ingleses definem seu futuro numa eleição que lançará luzes sobre o futuro da democracia no Ocidente
Enquanto a primeira-ministra conservadora Theresa May fala em restringir liberdades civis e controlar a internet para tornar mais seguro o povo britânico, após os mais recentes ataques terroristas, seu adversário trabalhista Jeremy Corbyn afirma que a democracia não deve ser sacrificada em nome do combate ao terror; nesta quinta-feira, os ingleses definem seu futuro numa eleição que lançará luzes sobre o futuro da democracia no Ocidente (Foto: Ana Pupulin)

Por Leonardo Sobreira, de Londres, especial para o 247 
 
Na véspera das eleições para a escolha do próximo parlamento britânico, a atual primeira-ministra Theresa May fez uma colocação que põe em dúvida seu comprometimento com a democracia. Na manhã de hoje, em seu perfil no Twitter, a candidata conservadora afirmou que “caso leis de direitos humanos bloqueiem a luta contra o terrorismo, essas leis serão alteradas para manter o povo britânico seguro”, gerando uma onda de protestos por parte da oposição. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, reforçou que o terrorismo não deve ser combatido “através de políticas que ferem direitos básicos e a nossa democracia”.

O Reino Unido decide nesta quinta-feira seu próximo governo, que terá o papel histórico de orquestrar a saída do país da União Europeia, no chamado Brexit, e de lidar com as ameaças terroristas e a crescente desigualdade social. 
 
As novas declarações da primeira-ministra se juntam ao “Ato sobre Poderes Investigativos”, aprovado em Westminster no mês passado, que força companhias de internet a coletar dados de usuários, assim como permite que ministros solicitem empresas como WhatsApp a revelar o conteúdo de mensagens privadas. 
 
A própria ideia de que leis de direitos humanos se opõem ao combate ao terrorismo soa mais como um pretexto para um plano maior de ataque às liberdades civis. Se o combate ao terrorismo fosse realmente levado a sério, dificilmente se imaginaria que os próprios conservadores demitiriam 20 mil policiais. Além disso, a própria primeira-ministra é criticada por negociar compras de armas com a Arábia Saudita, dominada por um clã fundamentalista que historicamente cultiva laços com grupos terroristas. 
 
Na véspera de uma das eleições mais importantes na história do Reino Unido, as palavras de Theresa May têm como objetivo atrair um público amedrontado com os recentes ataques terroristas, ao mesmo tempo em que formas de controle no meio virtual são adotadas.  Esse discurso, no entanto, vêm se provando ineficaz. Sua liderança nas pesquisas de intenção de voto, em menos de um mês, foi reduzida em mais de 20%, graças ao apelo popular de Corbyn. 
 
Este talvez seja um sinal de que o discurso hipócrita quando se trata de terrorismo esteja perdendo força. A noção de que a “esquerda liberal” e de que sua visão de mundo baseada na integração social contribuíram para o aumento nos casos de terrorismo perde força diante da clara negligência da atual liderança política. Talvez essa percepção acalme os nervos dos grupos de extrema-direita, que surgem espantosamente ao redor do mundo. 
 
Nesta quinta, o Reino Unido tem a oportunidade de mostrar ao mundo que uma plataforma de esquerda baseada na expansão de valores democráticos e na integração de comunidades imigrantes na sociedade, e não sua estigmatização, pode efetivamente combater o terrorismo global. 

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