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No dia da posse sem Chávez, povo toma Caracas

Convocados pelo governo, venezuelanos se concentram em vários locais da capital Caracas para "defender a revolução" bolivariana e o presidente Hugo Chávez, que permanece internado em Havana e não comparece, nesta quinta-feira, à cerimônia em que deveria tomar posse. Representantes de cerca de 20 países confirmaram presença, entre eles os presidentes de Bolívia, Evo Morales, Nicarágua, Daniel Ortega, e Uruguai, José Mujica

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Opera Mundi - A população venezuelana se reúne desde o começo da manhã desta quinta-feira (10/01) em frente ao Palácio de Miraflores para participar de uma manifestação em apoio ao presidente Hugo Chávez, que se recupera da quarta cirurgia contra um câncer, em Cuba.

O evento, convocado pelo governo venezuelano no início desta semana, receberá representantes de cerca de 20 países. Entre os convidados que confirmaram presença estão os presidentes de Bolívia, Evo Morales, Nicarágua, Daniel Ortega, e Uruguai, José Mujica. O ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo e os chanceler de Equador, Ricardo Patiño, e Argentina, Héctor Timerman, também são esperados em Caracas.

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Além do Palácio de Miraflores, há concentração de chavistas em outras partes da capital venezuelana, como na Praça Venezuela e nas avenidas Libertador e Baralt, de acordo com a AVN.

Convocação

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A convocação foi feita, de acordo com membros do governo, para fazer frente à oposição venezuelana, que estaria alimentando um ambiente de quebra da institucionalidade. Ao longo de quase um mês de debate sobre a obrigatoriedade ou não da presença de Chávez em 10 de janeiro na Assembleia Nacional, integrantes de partidos opositores defenderam que o presidente do parlamento, Diosdado Cabello, deveria assumir as rédeas do país, devido à ausência do presidente.

No entanto, o governo diz que o juramento se trata de uma mera formalidade, já que Chávez foi proclamado presidente após ganhar a reeleição presidencial em 7 de outubro, além de assinalar que ele passa por um período de repouso pós-operatório.

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O chavismo argumenta também que, para o presidente da Assembleia assumir a Presidência, é preciso que seja decretada a "falta absoluta", contemplada na Constituição e que acontece somente em caso de morte; renúncia; destituição decretada pelo TSJ; incapacidade física ou mental permanente, certificada por uma junta médica designada pelo Supremo venezuelano e com a aprovação da Assembleia Nacional; abandono do cargo, declarado como tal pela Assembleia, além da revogação do mandato por meio de referendo popular.

"Começaram sua campanha descontrolada: a loucura máxima de que agora querem que Diosdado seja presidente. Estão arruinados, uns senhores que antes me odiavam agora me querem como presidente", afirmou Cabello nesta quarta-feira. "Querem provocar o povo? Provoquem-no, que o vão encontrar como nunca o imaginaram", ressaltou.

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Desestabilização

Para o governo, o clima de desestabilização estaria sendo alimentado por notícias difundidas por jornais opositores, que falam de um desabastecimento crônico de alimentos, e as recentes declarações de membros da Igreja Católica e de políticos da oposição.

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O padre Diego Padrón, presidente da CEB (Conferência Episcopal Venezuelana), afirmou que "alterar a Constituição para atingir um objetivo político é moralmente inaceitável", enquanto o deputado opositor Julio Borges disse que "estão interpretando da maneira mais retórica que podem a Constituição com um só propósito, que nunca Diosdado Cabello, como presidente da NA, possa ser presidente encarregado da Venezuela."

Para o ex-ministro da Comunicação venezuelano Jesse Chacón, a oposição faz uma leitura equivocada da realidade do país ao "empreender uma campanha desesperada para retirar Chávez do poder, desconhecendo o tema da vontade popular", respaldado no artigo 5 da Constituição. "É claro que seu objetivo é derrubá-lo, não importa por qual via: fizeram uma paralisação petroleira, perderam todas as eleições das quais participou Chávez. Dessa forma, tentarão de novo", indicou Chacón, presidente da GSXXI, instituto de pesquisa.

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No entanto, sublinhou o ex-ministro, em 2002 e 2003, anos de profunda desestabilização no país, "tínhamos um TSJ diferente, que teve o descaramento de dizer que aqui não houve golpe de Estado, mas um vazio de poder e que o presidente Chávez foi preo ao lado de militares cheio de boas intenções. Segundo Chacón, a "institucionalidade é outra, a Assembleia, o TSJ e a madurez política do povo", complementando que os chamados a uma paralisação cívica pela oposição por meio das redes sociais "não têm nenhum eco" na sociedade.

 

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