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Noam Chomsky defende saída negociada da guerra na Ucrânia e critica postura dos EUA

Linguista condenou invasão russa e defendeu acordo negociado para solucionar conflito. Contudo, disse que insistência dos EUA sobre a Ucrânia ingressar na Otan é um grande entrave

Noam Chomsky defende saída negociada da guerra na Ucrânia e critica postura dos EUA (Foto: ChinaFotoPress/Getty Images)

247 - Para Noam Chomsky, a invasão russa da Ucrânia foi um "ato de agressão", que deve ser registrado nos livros de história ao lado de eventos como a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista. 

Em entrevista ao site The Intercept, o linguista defendeu os esforços internacionais para auxiliar as Forças Armadas da Ucrânia, desde que isso não leve a uma maior escalada da guerra. 

"Existem alguns fatos simples que não são realmente controversos. Há duas maneiras de uma guerra terminar: uma maneira é que um lado ou o outro seja basicamente destruído. E os russos não serão destruídos. Então, isso significa que uma maneira é destruir a Ucrânia", disse.

"A outra maneira é algum acordo negociado. Se existe uma terceira via, ninguém nunca a descobriu. Portanto, o que devemos fazer é dedicar todas as coisas que você mencionou [assistência militar, sanções], se devidamente moldadas, mas principalmente avançar em direção a um possível acordo negociado que salve os ucranianos de mais desastres. Esse deve ser o foco principal", prosseguiu.

Contudo, um grande entrave é a postura dos Estados Unidos, o principal fornecedor de assistência militar e financeira à Ucrânia desde 24 de fevereiro. O pensador enfatiza que os EUA rejeitam explicitamente qualquer tipo de saída negociada. 

"Podemos, no entanto, olhar para os Estados Unidos e podemos ver que nossa política explícita – explícita – é a rejeição de qualquer forma de negociação", disse, citando a declaração de política conjunta de 1º de setembro, que foi reiterada e ampliada na carta de acordo de 10 de novembro.

"E se você olhar para o que diz, basicamente diz que não há negociações. O que diz é que pede que a Ucrânia avance para o que eles chamaram de um programa aprimorado para entrar na Otan, o que mata as negociações", disse.

"Não podemos ter certeza, mas é possível que essas declarações fortes possam ter sido um fator para levar Putin e seu círculo a passar do alerta para a invasão direta. Nós não sabemos. Mas enquanto essa política estiver guiando os Estados Unidos, está basicamente dizendo, para citar o embaixador Chas Freeman, está dizendo: vamos lutar até o último ucraniano. Isso é basicamente o que significa", disse.

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