'Nossa missão era proteger os EUA, não o Afeganistão', diz secretário-geral da Otan
Jens Stoltenberg comentou sobre a situação das tropas invasoras no Afeganistão e afirmou que as tropas da Otan foram ao país para “defender os Estados Unidos de ataques terroristas e foi isso que fizemos”
247 - O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou que o objetivo do envio de suas tropas para o Afeganistão não foi a proteção do povo afegão, mas "evitar ataques contra os Estados Unidos e outros aliados". As tropas invasoras têm seis dias para se retirarem do país conforme acordado com o novo governo do Talibã.
“O Afeganistão é uma tragédia para o povo afegão, o fim da missão foi uma decisão dura e difícil, mas isso não muda nada no compromisso dos aliados de se protegerem”, disse Stoltenberg em entrevista, defendendo o uso do artigo 5º do tratado, que requer que os membros ajudem qualquer outro integrante sujeito a um ataque armado.
“Era para defender os Estados Unidos de ataques terroristas e foi isso que fizemos. Não era para proteger o Afeganistão”, declarou.
Segundo o secretário-geral e ex-primeiro-ministro norueguês, o foco agora do processo de retirada é conseguir levar o máximo de pessoas para o aeroporto de Cabul, que ainda está sob o controle de tropas estrangeiras, e está lotado diante da quantidade de pessoas querendo sair do país, das quais boa parte são colaboradores com o governo afegão deposto e as tropas estrangeiras.
“Enfrentamos o dilema de que quanto mais ficarmos, maior será o risco de um ataque terrorista, especialmente se continuarmos depois de 31 de agosto sem qualquer consentimento tácito do Talibã”, afirmou Stoltenberg.
Ele admitiu que houve alguns erros durante a guerra no Afeganistão, sem especificar, mas, cinicamente, tentou justificar a invasão do país, iniciada em 2001.
“Chegará a hora de fazer as difíceis perguntas sobre o que falhou, mas também sobre sucessos como ter evitado ataques terroristas, ter permitido o acesso de milhões de mulheres à educação, ter facilitado o progresso social e econômico”, declarou, sem mencionar a destruição completa do país, o aumento da miséria e da fome e a implantação de uma ditadura militar altamente repressiva e genocida contra o povo afegão.
Imitando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o secretário-geral da Otan culpou o governo deposto do Afeganistão pela tomada do país pelo Talibã.
“Não esperávamos que tudo desmoronasse em questão de dias” disse, complementando: “conheci bravos soldados afegãos, empenhados em defender seu país contra o Talibã. Mas se esses soldados não receberam salário, não receberam suprimentos ou munições, é normal que a falta de liderança política e militar leve ao colapso”.
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