O adeus de Fidel Castro

O ditador deixa a direo do Partido Comunista de Cuba, ltimo cargo que mantinha na hierarquia do Pas; a primeira vez, desde 1959, que o lder da revoluo cubana no ter posto de comando; reformas na economia vo se aprofundar

É um momento histórico. Pela primeira vez, desde o dia 1 de janeiro de 1959, quando os jovens revolucionários barbudos entraram em Havana e conquistaram o poder em Cuba, o líder do movimento Fidel Castro não terá um posto de comando na hierarquia no Páis. Nesta terça-feira, 19, Fidel confirmou sua renúncia à direção do Partido Comunista de Cuba (PCC), seu último alto cargo político. Ele também pediu sua exclusão do Comitê Central. O anúncio foi feito em artigo publicado no portal Cubadebate, controlado pelo governo.

“Raúl (o presidente Raúl Castro, seu irmão) conhecia que eu não aceitaria na atualidade cargo algum no Partido”, escreveu Fidel, explicando sua ausência no novo Comitê Central do PCC, eleito nesta segunda-feira (18) durante o 6º Congresso do partido. O ditador escreveu que sugeriu que Raúl o excluísse da lista de candidatos ao Comitê Central por causa de sua idade e de sua saúde, e porque já não poderia emprestar muitos serviços ao partido."

Aos 84 anos, Fidel mantinha o posto de primeiro-secretário do PCC, o principal do sistema comunista. O novo Comitê Central do partido apontará o substituto de Fidel. O ditador sugeriu, em artigo publicado anteriormente, que o presidente de Cuba e segundo secretário do partido, seu irmão Raúl, deveria ser nomeado para a posição. O Comitê Central e o Bureau Político devem sofrer uma forte renovação. Espera-se que haja mais mulheres e mais diversidade nos dois órgãos.

As mudanças na hierarquia vêm acompanhadas de amplas reformas econômicas, aprovadas no congresso. Os mil delegados presentes ao encontro referendaram ontem o projeto de reformas proposto pelo presidente Raúl Castro, que inclui mais de 300 medidas de abertura ao setor privado, corte de empregos, redução dos subsídios, autogestão empresarial e descentralização do aparelho estatal, informou o site oficial Cubadebate.

O tema da propriedade privada também entrou na discussão ontem, no penúltimo dia do encontro, e a compra e venda de casas por particulares foi uma das medidas aprovadas, segundo a TV estatal. Havana não deu detalhes sobre as nova regulamentação do comércio imobiliário. A agricultura da ilha foi discutida ontem. Os resultados serão apresentados hoje, no encerramento do congresso, mas, segundo a resolução divulgada pelo site oficial, “na atualização do modelo econômico primará o planejamento, que levará em conta as tendências do mercado”.

Os cubanos vêm os resultados políticos e econômicos do congresso com uma mescla de esperança e otimismo, sempre atentos às medidas que afetarão suas vidas diárias, como a futura eliminação do livreto (a cesta básica subsidiada).

As reformas também causaram boa impressão no exterior. A China, um dos principais aliados de Cuba, aprovou hoje as amplas reformas econômicas e sociais anunciadas na ilha caribenha. O regime de Havana aprovou ontem centenas de propostas econômicas, entre elas a legalização da compra e venda de propriedades privadas. Além disso, o governo cubano pode eliminar posteriormente a caderneta mensal de racionamento, que oferece aos cubanos artigos alimentícios e de outros tipos a preços muito subsidiados.

O porta-voz da chancelaria chinesa Hong Lei disse que essas decisões terão "um impacto profundo e amplo sobre o desenvolvimento do socialismo em Cuba". A China é um importante parceiro comercial e ideológico de Cuba desde o colapso do bloco soviético, que deixou sem grandes investimentos o regime cubano.

Hong disse que a China enviou no domingo um telegrama felicitando o governo cubano em seu Sexto Congresso do Partido Comunista. Cuba tenta melhorar sua economia e rejuvenescer sua classe política, formada em sua maioria por octogenários que lideraram a revolução de 1959.

"Acreditamos que, sob a liderança do Partido Comunista Cubano, o povo cubano poderá superar todo tipo de dificuldades na rota do desenvolvimento e alcançar novas vitórias no caminho para construir um socialismo com características cubanas", afirmou Hong. A China se refere frequentemente a seu próprio modelo de desenvolvimento, que durante três décadas inclui liberalização econômica sem grandes reformas políticas, como um "socialismo com características chinesas".

 

Assista ao vídeo do discurso que Fidel fez na ONU em 1979

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