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Obama ameaça cortar ajuda ao Equador

Estados Unidos ameaçaram o país de represálias caso dê asilo ao ex-técnico da CIA que revelou um programa de espionagem do governo; presidente equatoriano, Rafael Correa, diz que 'dignidade não tem preço' e renuncia à programa de ajuda a Quito que expira no fim de julho

Obama ameaça cortar ajuda ao Equador

247 – O presidente do Estados Unidos minimizou o impasse com a Rússia e China no caso de Edward Snowden. No entanto, Barack Obama sinalizou que está disposto a impor represálias ao Equador se o país der asilo ao ex-técnico da CIA que revelou um programa de espionagem do governo.

Segundo o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Patrick Ventrell, haverá "graves dificuldades" nas relações entre Quito e Washington caso o presidente equatoriano, Rafael Correa, resolva receber Snowden.

Antes da declaração, o presidente Correa se antecipou e declarou abrir mão do programa que permite ao Equador exportar produtos com tarifa zero ao mercado americano ante a ameaça dos EUA de não renová-lo por causa do caso Snowden.

"Nossa dignidade não tem preço", afirmou Correa. Em tom de provocação, um porta-voz do governo equatoriano ofereceu US$ 23 milhões aos EUA para "treinamento" em direitos humanos --Washington criticou Quito recentemente nessa área.
Relação com China e Rússia

"Não, não vou ficar mexendo com jatos para pegar um hacker de 29 anos", disse ele em entrevista coletiva em Dacar, com voz de desdém. Snowden completou 30 anos na semana passada.

Obama disse que os canais legais regulares devem ser suficientes para lidar com a entrega de Snowden, cidadão norte-americano que fugiu para Hong Kong antes de fazer a denúncia e depois embarcou para Moscou, onde supostamente permanece em uma área de trânsito do aeroporto Sheremetyevo. Obama disse que ainda não conversou pessoalmente com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, sobre o caso.

Obama citou duas razões para isso. "Número um: não havia por quê", afirmou secamente. "Número dois: temos muitos negócios que fazemos com a China e a Rússia, e não vou pegar de repente um caso de um suspeito que estamos tentando extraditar para elevar ao ponto em que eu precise começar a fazer maquinações e abrir mão de várias outras questões". (Com informações da Agência Reuters)