Papa Francisco decide receber Lula “com todo o prazer”

O maior líder da atualidade, o Papa Francisco, receberá o ex-presidente Lula no Vaticano, o que fortalece a luta internacional contra o fascismo

www.brasil247.com -
(Foto: REUTERS/Remo Casilli)


Márcio Resende, RFI - O Papa Francisco terá "todo o prazer" em receber o ex-presidente Lula no Vaticano, informou o presidente argentino, Alberto Fernández, após reunião nesta sexta-feira (31) com o pontífice no qual transmitiu o pedido de Lula. Mas, ao aproximar o Papa de Lula, o presidente argentino afasta-se automaticamente de Jair Bolsonaro.

"O Lula me pediu para ver o Papa. E eu pedi (ao Papa) se ele podia receber o Lula. E ele (o Papa) me disse que 'claro' e que (o Lula) lhe escrevesse porque ele (o Papa), com todo prazer, o receberá", revelou o presidente argentino depois de reunir-se nesta sexta-feira com o Papa no Vaticano.

Fernández também indicou aos jornalistas que o assunto sobre uma visita de Lula ao Vaticano surgiu quando os dois, Alberto Fernández e Papa Francisco, tocaram no assunto sobre "Lawfare", termo usado para definir uma guerra judiciária para intervir na política e para destruir adversários.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A intervenção de Alberto Fernández para que o Papa receba Lula também revela um desejo do ex-presidente brasileiro, libertado em novembro passado, depois de 19 meses preso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fernández, uma ponte da causa Lula com o Papa

Em agosto de 2018, quando Lula completava quatro meses de prisão, Alberto Fernández já tinha pedido que o Papa o recebesse acompanhado pelo ex-chanceler de Lula, Celso Amorim, e pelo ex-senador chileno, Carlos Ominami.

O objetivo daquela reunião, realizada na residência do pontífice, a Casa Santa Marta, era tornar ainda mais visível a luta pela liberdade de Lula. Na ocasião, o Papa Francisco escreveu uma mensagem a Lula na qual o abençoava.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A Luiz Inácio Lula da Silva com a minha bênção, pedindo-lhe para rezar por mim, Francisco”, dizia a mensagem escrita na folha de rosto de um livro. O Papa recebera um exemplar em italiano do livro "A verdade vencerá", de Lula.

Naquela ocasião, Alberto Fernández estava longe de qualquer cargo político, mas conhecia o Papa da época em que tinha sido chefe do Gabinete de ministros do governo Kirchner. O então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, e Fernández chegaram, inclusive, a ter o mesmo odontologista.

Um Papa que pensa como nós, diz Lula

Em maio do ano passado, o Papa Francisco enviou uma carta a Lula na prisão, pedindo ao ex-presidente que não desanimasse nem deixasse de confiar em Deus. "O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação”, afirmava o Papa, lembrando a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A carta do Papa era uma resposta a outra de Lula na qual o ex-presidente agradecia o apoio "ao povo brasileiro pela justiça e pelos direitos dos mais pobres" e pedia o apoio e a amizade do Papa.

Nesta semana, numa entrevista com o jornal argentino Página 12, Lula fez vários elogios ao Papa. "É um Papa comprometido com o povo pobre, com o combate à fome, ao desemprego à violência, aos crimes contra as mulheres e contra os negros. Ou seja: ele é tudo o que nós queremos de um Papa. É um Papa que pensa como nós", enfatizou Lula.

Distância automática de Bolsonaro

Ao aproximar o Papa de Lula, Alberto Fernández afasta-se automaticamente do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, inimigo de Lula. A gestão pessoal de Fernández para um encontro entre o Papa e Lula acontece num momento em que a Diplomacia argentina tenta costurar uma reunião entre Fernández e Bolsonaro depois que, durante os últimos meses, os dois trocassem farpas, pondo em risco a relação bilateral, eixo da integração regional.

No último dia 16, o presidente Jair Bolsonaro disse que a decisão dos Estados Unidos de priorizarem o Brasil -e não mais à Argentina- para entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tinha relação com a decisão dos argentinos de "elegerem quem os colocou na situação de desgraça na qual se encontravam", em alusão à volta ao poder do kirchnerismo da vice-presidente, Cristina Kirchner, quem governara o país entre 2007 e 2015.

O clima entre os dois governantes ficou ensombrado depois que Alberto Fernández, durante a campanha eleitoral, visitou Lula na prisão e, durante o discurso de vitória, pediu a sua libertação. Esse discurso levou Bolsonaro a não cumprimentar Fernández pela vitória e a não ir à posse. Na ocasião, Bolsonaro disse que os argentinos "escolheram mal".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email