Papa Leão 14 diz que Deus rejeita orações de líderes que promovem guerras
Pontífice faz discurso contundente no domingo de ramos, critica uso da fé para justificar conflitos e pede cessar-fogo na guerra com o Irã
247 - O Papa Leão 14 afirmou neste domingo (29) que Deus rejeita as orações de líderes responsáveis por iniciar guerras, destacando que tais autoridades têm “as mãos cheias de sangue”. As declarações foram feitas durante celebração do Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, no Vaticano. As informações são da Reuters.
Diante de dezenas de milhares de fiéis, o pontífice adotou um tom incomumente duro ao comentar o atual conflito envolvendo o Irã, que já entra no segundo mês. A data marca o início da Semana Santa para cerca de 1,4 bilhão de católicos em todo o mundo.
Durante a homilia, o papa reforçou que a mensagem cristã não pode ser usada como justificativa para guerras. “Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, afirmou.
Em outro momento, ao citar uma passagem bíblica, Leão 14 foi ainda mais incisivo ao condenar líderes que recorrem à fé em meio a ações violentas. “[Jesus] não ouve as orações dos que fazem guerra, mas as rejeita, dizendo: ‘ainda que multipliquem as suas orações, eu não as ouvirei, porque as suas mãos estão cheias de sangue’”, declarou.
Sem mencionar diretamente chefes de Estado ou governos, o pontífice tem intensificado críticas ao conflito nas últimas semanas. No encerramento da celebração, lamentou a situação dos cristãos no Oriente Médio, que, segundo ele, “estejam sofrendo as consequências de um conflito atroz” e podem enfrentar dificuldades para celebrar a Páscoa.
O líder da Igreja Católica também voltou a pedir um cessar-fogo imediato. Ele tem reiterado apelos pela paz desde o início da escalada militar, iniciada em 28 de fevereiro, quando ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã deram origem à atual guerra na região.
Autoridades norte-americanas chegaram a invocar argumentos religiosos para justificar a ofensiva. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que tem promovido cultos cristãos no Pentágono, participou de uma oração na quarta-feira (25) em que pediu “ação violenta e avassaladora contra aqueles que não merecem misericórdia”.
Na homilia, Leão 14 também mencionou um episódio bíblico que antecede a crucificação de Jesus, quando ele repreende um seguidor por usar violência. “[Jesus] não se armou, nem se defendeu, nem lutou em nenhuma guerra”, disse. “Ele revelou a face gentil de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de se salvar, permitiu ser pregado na cruz.”