Papa pede que fiéis não se deixem paralisar pela guerra
Durante Vigília Pascal, pontífice critica medo, egoísmo e conflitos e convoca cristãos a agir com esperança
247 - Em uma mensagem marcada por apelos à esperança e à ação, o papa Leão XIV pediu aos fiéis que não se deixem paralisar diante das guerras e das crises que afetam o mundo contemporâneo. A declaração foi feita durante a tradicional Vigília do Sábado Santo, celebrada no Vaticano. As informações são da Deutsche Welle.
Durante a celebração, realizada na Basílica de São Pedro, o pontífice refletiu sobre os desafios atuais enfrentados pela humanidade e utilizou uma metáfora forte para ilustrar o momento. “Não faltam túmulos a serem abertos em nossos dias”, afirmou, acrescentando que muitas das “pedras que os selam são tão pesadas e tão bem guardadas que parecem imóveis”.
Segundo ele, essas “pedras” representam sentimentos e situações que afetam diretamente a convivência humana. “Algumas oprimem o coração humano, como a desconfiança, o medo, o egoísmo e o ressentimento; outras, consequência das primeiras, rompem os laços entre nós, como a guerra, a injustiça e o isolamento entre povos e nações”, disse.
Em tom enfático, o papa convocou os fiéis à ação: “Não nos deixemos paralisar!”. Ele destacou o exemplo de pessoas ao longo da história que, mesmo diante de adversidades, conseguiram superar obstáculos. “Pessoas como nós, fortalecidas pela graça do Senhor Ressuscitado”, afirmou, lembrando que muitos enfrentaram essas dificuldades “mesmo ao custo de suas vidas, mas com frutos de bem dos quais ainda hoje nos beneficiamos”.
A celebração marcou a primeira vez que Leão XIV presidiu a Vigília Pascal em seu pontificado. A cerimônia, uma das mais longas e simbólicas da tradição católica, começou com a basílica completamente às escuras e em silêncio, seguindo o rito da bênção do fogo e o acendimento do Círio Pascal.
Em um gesto simbólico, o pontífice marcou a vela com as letras gregas alfa e ômega, representando que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas. A partir desse momento, uma procissão seguiu em direção ao altar-mor, enquanto o espaço era gradualmente iluminado pelas velas dos fiéis, acesas a partir da chama do Círio Pascal, em um ritual que simboliza a luz da ressurreição vencendo as trevas.