Para cientista político, Bolsonaro ainda está preso na campanha

Em sua primeira aparição internacional durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ficou preso na campanha eleitoral de 2018 e demonstrou suas próprias preferências partidárias ao criticar o "viés ideológico"; a avaliação é do cientista político da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Antônio Marcelo Jackson

Para cientista político, Bolsonaro ainda está preso na campanha
Para cientista político, Bolsonaro ainda está preso na campanha (Foto: © REUTERS / Arnd Wiegmann)

Sputnik Brasil - Em sua primeira aparição internacional durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ficou preso na campanha eleitoral de 2018 e demonstrou suas próprias preferências partidárias ao criticar o "viés ideológico". A avaliação é do cientista político da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Antônio Marcelo Jackson.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Jackson disse que em seu discurso na abertura de Davos, Bolsonaro aparentou ainda estar participando da campanha presidencial e deveria ter falado melhor porque estava lidando com todo o mundo.

O político do PSL defendeu trocas comerciais com países de "práticas semelhantes à nossa". Jackson acredita que a fala foi vaga: "Em que sentido? Em termos comerciais? Políticos?".

Jackson ressalta que não há "ideologia" quando se trata de dinheiro e que, apesar das críticas de Bolsonaro, o Brasil registra superávits (exportações maiores que importações) com Cuba e Venezuela. O mesmo não é verdade nas trocas com os Estados Unidos, que vendem mais produtos ao Brasil do que compram.

Como exemplo, ele cita a relação Brasília-Pequim: "Posso ter problemas sérios com a política chinesa, detestar a proposta ideológica chinesa, ter todas minhas críticas, mas tenho lucro com a China. E aí me parece que faz sentido manter boas relações comerciais com a China."

O professor da UFOP também enxergou uma "incoerência" na fala do presidente brasileiro. Apesar de repetidas vezes criticar o "viés ideológico", Bolsonaro revelou suas próprias preferências partidárias ao criticar a "América bolivariana", a esquerda e elogiar a ascensão de líderes de centro-direita e direita.

"A palavra ideologia sempre aparece quando Bolsonaro quer reclamar de alguma coisa", diz Jackson à Sputnik Brasil.

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