Patriota minimiza denúncia de espionagem dos EUA

Segundo reportagem da revista Época, os Estados Unidos teriam usado meios digitais para espionar oito integrantes do Conselho de Segurança da ONU, dentre os quais o Brasil, em 2010, quando o então presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quebrou um acordo verbal e anunciou que enriqueceria urânio; chanceler Antonio Patriota disse que a orientação de um país no Conselho de Segurança "não chega a ser um segredo" e que é possível obter o posicionamento por meio de contatos, de interlocutores e até mesmo de jornalistas  

Patriota minimiza denúncia de espionagem dos EUA
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Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, minimizou hoje (29) as denúncias publicadas pela revista Época desta semana sobre espionagem dos Estados Unidos ao Brasil. Segundo a reportagem, os Estados Unidos teriam usado meios digitais para espionar oito integrantes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), dentre os quais o Brasil. De acordo com a revista, o episódio ocorreu em 2010, quando o então presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quebrou um acordo verbal e anunciou que enriqueceria urânio em seu território.

Em entrevista à imprensa, Patriota disse que a orientação de um país no Conselho de Segurança da ONU "não chega a ser um segredo" e que é possível obter o posicionamento por meio de contatos, de interlocutores e até mesmo de jornalistas. "Essas suspeitas são recorrentes", disse o ministro.

"Eu recordaria que, quando houve a iniciativa da intervenção norte-americana e britânica no Iraque, em 2003, surgiram várias notícias falando de espionagem na missão do México e do Chile, que eram membros do Conselho de Segurança naquela época, e de outros países. Algo que exige grande cuidado", acrescentou o chanceler.

Patriota chamou a atenção para o contexto atual, em que as coisas "acontecem enquanto se conversa", e citou denúncias recentes de violação de informações pelos Estados Unidos.

Segundo ele, após reunião da Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, ficou decidido que o assunto será encaminhado ao sevretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "o que vai ser feito", e que a Argentina, como integrante de um assento não permanente do Conselho de Segurança, levasse o assunto ao colegiado, "o que deverá ocorrer". Ontem [28] mesmo, à margem na Missa de Envio [celebrada pelo papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro] conversei com o chanceler Timerman [ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman] sobre o assunto."

O assunto também foi tratado nesta manhã pela presidenta Dilma Rousseff, em reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou a assessoria de imprensa do Itamaraty. De acordo com a assessoria, o grupo técnico interministerial do governo brasileiro, formado após denúncias de violação de informações pelos Estados Unidos, continua ainda sem data definida para a reunião com o governo norte-americano, em Washington, mas o encontro deve ser em breve.

Edição: Nádia Franco

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