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Pedro Sánchez critica Netanyahu por impedir celebração cristã em Jerusalém

Espanha condena restrição no Domingo de Ramos e cobra respeito à liberdade religiosa após polícia barrar líderes cristãos no Santo Sepulcro

Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, durante entrevista coletiva em Pequim -11/04/2025 (Foto: EUTERS/Tingshu Wang)

247 - O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou neste domingo (29/3) que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, impediu católicos de celebrarem o Domingo de Ramos em Jerusalém, classificando o episódio como um ataque à liberdade religiosa. A declaração foi feita nas redes sociais e ocorre em meio à repercussão internacional sobre restrições impostas por autoridades israelenses em locais sagrados da cidade.

“Netanyahu impediu os católicos de celebrarem o Domingo de Ramos nos locais sagrados de Jerusalém. Sem qualquer explicação. Sem razões ou motivos”, escreveu Sánchez. O líder espanhol acrescentou que “o governo espanhol condena este ataque injustificado à liberdade religiosa e exige que Israel respeite a diversidade de crenças e o direito internacional. Porque sem tolerância, a coexistência é impossível”.

Segundo informações da Reuters, a polícia israelense impediu o Patriarca Latino de Jerusalém de realizar a celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, um dos locais mais sagrados do cristianismo. O Patriarcado Latino afirmou que esta foi a primeira vez, “em séculos”, que líderes da Igreja foram barrados de celebrar a missa na data que marca o início da Semana Santa.

O cardeal Pierbattista Pizzaballa e o frei Francesco Ielpo foram abordados pela polícia enquanto se dirigiam ao templo, construído no local onde cristãos acreditam que Jesus foi crucificado e ressuscitou. Em comunicado, o Patriarcado declarou: “Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a Missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro”.

Em resposta, Netanyahu afirmou que não houve intenção deliberada de impedir a cerimônia religiosa. “Não houve qualquer intenção maliciosa, apenas preocupação com a segurança dele (Pizzaballa) e de seu partido”, disse o premiê, acrescentando que medidas estavam sendo tomadas para permitir celebrações nos dias seguintes.

A polícia israelense justificou a decisão com base em preocupações de segurança relacionadas à guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. De acordo com as autoridades, todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém — incluindo espaços reverenciados por cristãos, muçulmanos e judeus — foram fechados a fiéis desde o início do conflito, especialmente aqueles sem abrigos antibombas. Um pedido de exceção para o Domingo de Ramos foi negado.

“A Cidade Velha e os locais sagrados constituem uma área complexa que não permite o acesso de grandes veículos de emergência e resgate, o que representa um desafio significativo para a capacidade de resposta e um risco real para a vida humana em caso de um incidente com múltiplas vítimas”, informou a polícia.

As restrições afetaram não apenas os cristãos, mas também outras religiões. Celebrações da Páscoa, do Ramadã e do Pessach ocorreram de forma limitada neste ano. A Mesquita de Al-Aqsa ficou praticamente vazia durante o Ramadã, enquanto o Muro das Lamentações registrou baixa presença de fiéis às vésperas do Pessach.

A decisão israelense gerou críticas de líderes internacionais. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, criticou a ação, enquanto o chanceler Antonio Tajani anunciou que convocaria o embaixador de Israel para esclarecimentos. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a medida “se soma ao preocupante aumento das violações do estatuto dos Lugares Santos em Jerusalém”.

Já o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, declarou que a proibição era “difícil de entender ou justificar”. O Vaticano não comentou oficialmente o episódio, mas, no domingo, o Papa Leão XIII fez duras críticas a líderes que promovem guerras, afirmando que Deus rejeita orações de quem tem “as mãos cheias de sangue”.

Moradores e autoridades religiosas da Cidade Velha afirmaram que as restrições não foram aplicadas de forma uniforme. Segundo relatos, líderes muçulmanos conseguiram acessar a Mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã, e rituais judaicos no Muro das Lamentações também foram parcialmente mantidos. No mesmo domingo, um pequeno grupo de fiéis e frades franciscanos pôde celebrar o Domingo de Ramos em outro santuário próximo ao Santo Sepulcro.

O episódio amplia as tensões diplomáticas em torno da situação em Jerusalém, especialmente em um momento de conflito regional e crescente preocupação internacional com o respeito aos locais sagrados e à liberdade religiosa.