Pedro Sánchez diz que Espanha poderia reconhecer a Palestina e Israel o acusa de "apoiar o terrorismo"
O ministro das Relações Exteriores de Israel condenou as declarações e pediu a convocação dos embaixadores da Espanha e também da Bélgica para "uma dura conversa de repreensão"
RT - O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse nesta sexta-feira (24), no ponto de passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, que chegou o momento de reconhecer o Estado da Palestina e que, se os países europeus não o fizerem de forma conjunta, a Espanha "adotará suas próprias decisões", o que provocou a reação de Israel.
"Chegou o momento para a comunidade internacional, sobretudo para a União Europeia (UE) e os diferentes Estados-membros, de reconhecer de uma vez o estado da Palestina. É algo que reveste a suficiente importância. É algo que numerosos países da UE acreditam que devemos fazer de forma conjunta, mas se este não for o caso, a Espanha adotará sua própria decisão", afirmou em uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, que o substituirá no dia 1 de janeiro na presidência do Conselho da UE.
O líder espanhol fez essas declarações após se reunir com o presidente do Egito, Abdelfatá Al Sisi, em seu último dia de visita ao Oriente Médio. "É necessário pôr fim às hostilidades e meu país, a Espanha, continuará reivindicando um cessar-fogo humanitário e duradouro e seguirá trabalhando para oferecer um horizonte de paz e prosperidade a esta região".
Sánchez falou sobre a necessidade de quebrar "o ciclo interminável que tem condenado a região durante décadas. "Israel deve ser o primeiro a adotar uma abordagem global, que se ocupe também da Cisjordania e de Jerusalém Leste. Isso só será possível através da aplicação da solução de dois Estados, incluindo o reconhecimento pela comunidade internacional e por Israel do Estado da Palestina", reiterou.
"Afirmações Falsas" - Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores, Eli Cohen, condenou as "afirmações falsas" que "estão dando apoio ao terrorismo" e pediu a convocação dos embaixadores de Espanha e Bélgica para manter "uma dura conversa de repreensão".
"Israel está agindo de acordo com o direito internacional e lutando contra uma organização terrorista assassina pior que o ISIS, que comete crimes de guerra e crimes contra a humanidade", assegurou.
Além disso, acrescentou que "os combates serão retomados após o cessar-fogo até a eliminação do governo do Hamas na Faixa de Gaza e a libertação de todos os sequestrados".
O Hamas liberou nesta sexta-feira o primeiro grupo de reféns israelenses, enquanto do lado de fora da prisão de Ofer, na Cisjordânia, iniciou-se a libertação do primeiro grupo de prisioneiros palestinos, no âmbito do acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas.
Entre outras coisas, o acordo estipula a libertação de 50 reféns israelenses - mulheres e menores - que fazem parte das mais de 240 pessoas capturadas pelo Hamas em sua ofensiva em 7 de outubro contra o sul de Israel, bem como a libertação de 150 mulheres e crianças palestinas dentre os milhares que permanecem detidos em prisões israelenses.
