Pepe Mujica manda recado a Lacalle Pou: “autoridade não é autoritarismo”
Ex-presidente uruguaio disse que o presidente eleito, que assume em março, não deve confundir o que é “governar” e o que é “mandar”, e confessa que não aceitou ser candidato em 2019 “para não dividir o país”.
Revista Forum - Faltam somente duas semanas para que o Uruguai tenha um novo presidente. O empresário e político neoliberal Luis Lacalle Pou assumirá o país, acabando com 15 anos de hegemonia da Frente Ampla, e levando a direita de volta ao poder, em aliança com a ultra-direita – o ex-general Guido Manini Ríos, que apoiou Lacalle no segundo turno, para evitar a quarta vitória consecutiva da esquerda.
Diante desse cenário, o senador José “Pepe” Mujica, um dos presidentes da Frente Ampla (governou entre 2010 e 2015), disse em entrevista ao jornal La Diaria, de Montevidéu, que vê o futuro governo com preocupação.
Segundo Mujica, “ele (Lacalle Pou) não venceu com os votos do seu partido, porque quem ganhou o primeiro turno fomos nós (Frente Ampla). Ele necessitou da união de cinco partidos, e apesar de posar como liberal, está aliado com gente que confunde o eu é governar e o que é mandar, e são coisas diferentes. Governar não é mandar. Autoridade não é autoritarismo”.
A frase de Mujica é uma clara referência ao movimento de ultradireita Cabildo Abierto, liderado por Guido Manini Ríos, que ficou em quarto lugar nas eleições, com 11% dos votos, e cujo apoio a Lacalle Pou foi decisivo para sua vitória no segundo turno – na qual ele superou o socialista Daniel Martínez, da Frente Ampla, por pouco mais de 37 mil votos.
“Espero estar equivocado com essas coisas que, aparentemente, começamos a perceber, e que ele (Lacalle Pou) se distancie da tentação de mandar como se estivesse em um quartel”, completou Mujica, novamente aludindo a Manini Ríos.
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