Pobreza urbana chega a 32,9% na Argentina, maior percentual em 7 anos

Pobreza afeta 13 milhões de pessoas devido à precariedade do mercado de trabalho e a falta de políticas de desenvolvimento, indicou um relatório apresentado pela Universidad Católica Argentina (UCA); além disso, 2,7 milhões de pessoas – o equivalente a 6,9% do total da população – está em situação de indigência, um crescimento de 600 mil pessoas em relação ao fim do ano anterior

Pobreza afeta 13 milhões de pessoas devido à precariedade do mercado de trabalho e a falta de políticas de desenvolvimento, indicou um relatório apresentado pela Universidad Católica Argentina (UCA); além disso, 2,7 milhões de pessoas – o equivalente a 6,9% do total da população – está em situação de indigência, um crescimento de 600 mil pessoas em relação ao fim do ano anterior
Pobreza afeta 13 milhões de pessoas devido à precariedade do mercado de trabalho e a falta de políticas de desenvolvimento, indicou um relatório apresentado pela Universidad Católica Argentina (UCA); além disso, 2,7 milhões de pessoas – o equivalente a 6,9% do total da população – está em situação de indigência, um crescimento de 600 mil pessoas em relação ao fim do ano anterior (Foto: Aquiles Lins)
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Do Opera Mundi - A taxa de pobreza urbana na Argentina subiu para 32,9% no terceiro trimestre de 2016, afetando 13 milhões de pessoas devido à precariedade do mercado de trabalho e a falta de políticas de desenvolvimento, indicou um relatório apresentado nesta quinta-feira (9) pela Universidad Católica Argentina (UCA).

O estudo, divulgado pelo Observatório da Dívida Social Argentina da UCA, indicou que a pobreza cresceu 3,9 pontos percentuais no terceiro trimestre de 2016 em relação ao final de 2015, alcançando o número mais alto dos últimos sete anos.

Além disso, 2,7 milhões de pessoas – o equivalente a 6,9% do total da população – estão em situação de indigência, um crescimento de 600 mil pessoas em relação ao fim do ano anterior.

"Grande parte da população argentina é excluída. É preciso algo mais do que crescimento econômico e os programas sociais não são suficientes para garantir uma plataforma de inclusão duradoura", indicou o diretor da pesquisa, Agustín Salvia, durante a apresentação dos resultados na sede da UCA em Buenos Aires.

O pesquisador afirmou que, desde a chegada ao poder de Mauricio Macri, em dezembro de 2015, os aumentos de tarifas nos serviços públicos, a política anti-inflacionária, a redução do investimento privado e falta de empregos geraram um cenário ainda mais recessivo do que nos governos anteriores.

Para Salvia, não se pode esperar que meros ciclos de expansão econômica resolvam um problema que é estrutural do país, onde os números de pobreza estão estagnados há uma década. Faltam políticas de desenvolvimento a longo prazo tanto em nível nacional como regional, além de medidas que apoiem pequenas e médias empresas.

O diretor do Observatório da Dívida Social Argentina ressaltou que a desigualdade entre ricos e pobres também cresceu. Os que vivem na miséria estão cada vez mais longe de reverter a situação porque perderam seus trabalhos informais ou cobram menos por eles.

O relatório também revela que 52% das famílias de baixa renda não tiveram acesso a pelo menos um direito básico, como alimentação, saúde, educação ou moradia digna. Além disso, 32,2% dos argentinos passam fome frequentemente, segundo Salvia, que destacou que nesses lares costumam haver crianças, ainda mais vulneráveis à situação.

Por outro lado, Salvia considerou positivo que o governo de Macri, publique estatísticas oficiais sobre a conjuntura econômica, e tenha estabelecido como objetivo conseguir chegar à "pobreza zero" no país.

No entanto, o pesquisador alertou que esse objetivo não pode ser obtido em um único mandato e pediu que uma política de Estado de longo prazo comece a ser considerada pelo governo.
O estudo se baseou em uma mostra de 5.700 famílias de 17 conglomerados urbanos da Argentina com mais de 80 mil habitantes.

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